Em uma época em que praticamente todo grande filme de Hollywood recebia uma adaptação para os videogames, era comum encontrarmos títulos feitos às pressas, com pouca personalidade e claramente desenvolvidos apenas para aproveitar o lançamento do longa-metragem nos cinemas. Porém, de vez em quando apareciam algumas surpresas. Beowulf: The Game, lançado em 2007, é um desses casos.
Baseado no filme Beowulf, dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Ray Winstone, o game transporta o jogador para um mundo medieval repleto de monstros, guerreiros, batalhas sangrentas e criaturas mitológicas. Embora não seja considerado uma obra-prima da geração PlayStation 3, o título possui qualidades suficientes para ser lembrado como um dos jogos de filme mais interessantes daquela época.
E existe um motivo muito simples para isso: jogar como Beowulf é muito divertido.
Uma adaptação que tenta ir além do filme
A história de Beowulf é uma das narrativas heroicas mais conhecidas da literatura medieval. O personagem é apresentado como um guerreiro extremamente poderoso, corajoso e, ao mesmo tempo, bastante orgulhoso.
O filme de 2007 adaptou essa história utilizando tecnologia de captura de movimento, criando uma versão digital dos atores. O videogame aproveitou vários elementos visuais e narrativos do longa, mas não se limita a simplesmente transformar cada cena do filme em uma fase.
Essa é uma das decisões mais interessantes de Beowulf: The Game.
O jogo utiliza acontecimentos e personagens conhecidos para construir uma experiência própria, permitindo que o jogador acompanhe Beowulf em uma aventura de ação muito mais extensa. Dessa maneira, quem conhece o filme encontra referências familiares, enquanto quem simplesmente quer um bom jogo de ação pode aproveitar a experiência sem precisar conhecer profundamente a obra original.
A estrutura também combina com a personalidade do protagonista. Beowulf não é apresentado como um herói comum. Ele é um guerreiro que gosta de lutar, busca glória e possui uma força impressionante. Consequentemente, o gameplay foi construído para fazer o jogador sentir justamente isso.
O combate é o coração do jogo
Se existe um elemento que define Beowulf: The Game, é o combate.
O título segue uma fórmula de ação em terceira pessoa bastante popular durante a geração PS2 e que continuava forte no começo da geração PS3. A inspiração em jogos de ação e hack and slash fica evidente.
Beowulf enfrenta diversos inimigos simultaneamente e precisa utilizar ataques rápidos, golpes pesados, bloqueios e habilidades especiais para sobreviver.
A grande diferença é que o protagonista possui uma força absurda.
Você não sente que está controlando um soldado medieval qualquer. Beowulf é um guerreiro lendário, e o jogo tenta transmitir essa sensação através dos golpes, das animações e da quantidade de inimigos que podem ser enfrentados.
É possível entrar em confrontos contra vários adversários ao mesmo tempo, atacar utilizando armas e executar inimigos de maneiras bastante violentas. O combate possui aquele estilo exagerado característico dos jogos de ação dos anos 2000.
E isso funciona.
Não espere a mesma profundidade de um God of War ou o refinamento de outros grandes hack and slash da época. O sistema de combate de Beowulf é mais simples e direto. Porém, essa simplicidade também é responsável por boa parte da diversão.
Você entra em uma área, encontra inimigos, parte para cima deles e começa a distribuir pancadas.
É exatamente o tipo de experiência que combina com o personagem.

( esta imagem destaca o embate do nosso herói com um das ameaças do game.)
A fúria de um guerreiro lendário
Outro elemento importante é o sistema de força e fúria de Beowulf.
Durante as batalhas, o jogador pode aumentar seu poder e utilizar habilidades especiais que tornam o protagonista ainda mais devastador.
Isso cria uma progressão interessante. No início, Beowulf já é poderoso, mas conforme a aventura avança, a sensação de evolução aumenta.
E existe uma satisfação especial em acumular poder e liberar ataques devastadores contra grupos de inimigos.
O jogo entende que sua principal fantasia é permitir que você seja um guerreiro lendário.
Não existe muita preocupação em transformar Beowulf em um personagem frágil. Pelo contrário: a proposta é fazer o jogador sentir que está controlando um dos maiores guerreiros daquele universo.
Os chefes são um dos grandes destaques
As batalhas contra chefes ajudam a quebrar a repetição dos combates normais.
Durante a aventura, Beowulf encontra criaturas muito maiores e mais perigosas que os inimigos comuns. Esses confrontos aumentam a escala da experiência e fazem o jogador perceber a diferença entre enfrentar um simples guerreiro e encarar uma criatura mitológica.
Naturalmente, Grendel é um dos confrontos mais importantes.
A presença de Grendel é fundamental para qualquer adaptação da história de Beowulf, e o jogo aproveita a criatura para criar uma batalha de grande escala.
O interessante nesses confrontos é que você não pode simplesmente tratar os chefes como inimigos comuns. É necessário observar seus ataques, encontrar oportunidades e entender os momentos certos para atacar.
Isso proporciona uma mudança de ritmo bastante bem-vinda.
Depois de enfrentar dezenas de inimigos menores, encarar uma criatura gigantesca cria aquela sensação de espetáculo que esperamos de uma aventura protagonizada por um herói lendário.
E é justamente nesses momentos que Beowulf mostra todo o seu potencial.
Os Thanes acrescentam variedade
Beowulf também pode contar com seus guerreiros, os Thanes.
Essa característica ajuda a diferenciar algumas situações do jogo, pois você não está sempre lutando completamente sozinho.
A presença dos companheiros combina com o contexto da história e ajuda a transmitir uma sensação maior de batalha. Em determinadas situações, parece que você realmente está liderando um grupo de guerreiros em uma aventura medieval.
Não é um sistema extremamente complexo, mas funciona como complemento para o combate principal.
A exploração é simples, mas eficiente
A exploração de Beowulf: The Game não é o ponto mais sofisticado da experiência.
O jogo não pretende ser um RPG gigantesco de mundo aberto. Sua estrutura é muito mais linear e focada na ação.
Você avança por diferentes ambientes, enfrenta inimigos, encontra obstáculos, participa de batalhas maiores e segue para a próxima parte da aventura.
Hoje, olhando para o jogo com os padrões modernos, essa estrutura pode parecer bastante simples.
Mas existe algo positivo nisso.
Beowulf não fica tentando transformar sua aventura em algo maior do que ela precisa ser. A proposta é clara: contar uma história de ação protagonizada por um guerreiro lendário.
E, nesse aspecto, o jogo consegue manter um ritmo relativamente direto.

( esta imagem destaca a exploração e certos lugares do game. )
O visual ainda tem personalidade
Graficamente, Beowulf: The Game mostra claramente sua idade.
Estamos falando de um jogo lançado em 2007, no começo da geração PlayStation 3. Portanto, obviamente não podemos esperar o mesmo nível visual encontrado em grandes produções modernas.
Mesmo assim, existe um cuidado interessante na direção artística.
Os ambientes possuem uma estética medieval sombria, com castelos, cavernas, vilarejos e áreas tomadas por criaturas perigosas.
O jogo também tenta manter a identidade visual do filme.
Os personagens são reconhecíveis e o universo possui aquela aparência de fantasia medieval que combina perfeitamente com a história.
Algumas animações e modelos podem parecer envelhecidos atualmente, mas isso faz parte do charme de revisitar jogos daquela geração.
Para quem gosta de games do PS3, existe algo muito interessante em observar como os desenvolvedores tentavam explorar o novo hardware naquela época.
A atmosfera combina perfeitamente com Beowulf
Talvez um dos maiores méritos do jogo seja sua atmosfera.
A história de Beowulf pede um mundo sombrio, perigoso e cheio de lendas.
O game entrega justamente isso.
Você atravessa ambientes medievais, enfrenta criaturas grotescas e participa de batalhas que passam a sensação de que a humanidade está constantemente ameaçada por forças sobrenaturais.
Essa atmosfera é essencial porque transforma o jogo em algo mais do que simplesmente uma adaptação cinematográfica.
Ele possui uma identidade própria.
A sensação de perigo está presente durante boa parte da aventura, e o design dos inimigos ajuda a reforçar essa ideia.
Uma trilha sonora que acompanha a aventura
A música também desempenha um papel importante.
A trilha procura acompanhar o clima épico da aventura, utilizando uma sonoridade adequada para batalhas medievais e momentos de tensão.
Durante os combates, a música ajuda a aumentar a intensidade, enquanto nos momentos de exploração contribui para a atmosfera do mundo.
Não é necessariamente uma trilha que ficou marcada na história dos videogames, mas cumpre muito bem sua função.
E isso é importante.
Uma aventura desse tipo precisa transmitir grandiosidade, e a combinação entre música, cenários e batalhas ajuda a criar essa sensação.
A violência combina com o protagonista
Outro aspecto que chama atenção é a brutalidade.
Beowulf não é um herói delicado. Ele é um guerreiro.
Consequentemente, o jogo não economiza na violência durante os combates.
Os golpes possuem bastante impacto e as execuções ajudam a transmitir a força física do personagem.
Para alguns jogadores, isso pode parecer exagerado. Para outros, é justamente uma das melhores características.
Particularmente, acredito que funciona porque está de acordo com a fantasia do personagem.
Seria estranho transformar Beowulf em um guerreiro extremamente contido.
A proposta é justamente colocar o jogador no controle de um homem capaz de enfrentar monstros gigantescos na base da força e da coragem.
Onde o jogo poderia ser melhor
É claro que Beowulf: The Game possui problemas.
O maior deles é a repetição.
Depois de algum tempo, os combates podem começar a parecer previsíveis. O sistema funciona bem, mas não possui a variedade e a profundidade de grandes representantes do gênero.
Algumas áreas também podem parecer bastante lineares.
A inteligência artificial dos inimigos não é exatamente impressionante e certas mecânicas mostram as limitações tecnológicas da época.
Além disso, o jogo não possui o mesmo nível de polimento de grandes produções exclusivas ou franquias estabelecidas.
Isso fica especialmente evidente quando colocamos Beowulf lado a lado com alguns dos principais jogos de ação do PlayStation 3.
Mas existe uma diferença importante:
ele não precisa competir diretamente com os melhores jogos da geração para ser divertido.
O problema de ser um jogo de filme
Existe ainda um fator que prejudicou bastante a percepção do título: ele é um jogo baseado em filme.
Durante muitos anos, jogos licenciados carregaram uma reputação negativa.
E não era por acaso.
Muitos deles eram experiências curtas, pouco polidas e feitas com o objetivo de chegar às lojas simultaneamente ao lançamento do filme.
Beowulf não escapa completamente desse problema, mas consegue ser melhor do que muita gente poderia imaginar.
Ele possui uma identidade própria, combate funcional, chefes interessantes e uma atmosfera que combina com o material original.
Isso já é suficiente para colocá-lo acima de muitas adaptações esquecíveis.
Beowulf merecia mais reconhecimento?
Talvez.
O jogo nunca alcançou o mesmo reconhecimento de franquias como God of War, Devil May Cry ou Ninja Gaiden. E, sendo justo, existem motivos para isso.
Esses jogos possuem sistemas de combate muito mais refinados e maior variedade.
Porém, existe uma diferença fundamental.
Essas franquias foram construídas especificamente para os videogames.
Beowulf precisava adaptar uma propriedade cinematográfica e literária para uma experiência interativa.
Dentro dessa proposta, o resultado é surpreendentemente competente.
Ele consegue entregar exatamente aquilo que muitos jogadores esperavam de uma aventura baseada em Beowulf: monstros, batalhas, violência, mitologia e um protagonista extremamente poderoso.

( o inicio do game que retrata o embate do protagonista com brecca o poderoso.)
Veredito
Beowulf: The Game é um daqueles jogos que representam muito bem uma época específica da indústria.
Ele pertence à geração em que adaptações cinematográficas apareciam constantemente nos consoles e em que muitos desses projetos acabavam esquecidos poucos anos depois.
Porém, revisitar o título hoje revela algo interessante.
Beowulf não é um jogo perfeito.
Seu combate poderia ter mais profundidade, a variedade de inimigos poderia ser maior, a exploração poderia ser mais interessante e alguns elementos técnicos envelheceram bastante.
Mas nada disso elimina sua principal qualidade:
é divertido.
E isso é o que realmente importa.
O jogo entende quem é seu protagonista e constrói praticamente toda a experiência ao redor dessa ideia. Você controla um guerreiro lendário, enfrenta monstros enormes, utiliza força bruta, lidera guerreiros e atravessa um mundo medieval sombrio.
Para quem gosta da história de Beowulf, a experiência fica ainda mais especial.
Existe uma satisfação enorme em finalmente assumir o controle de um personagem que, durante séculos, foi lembrado como um dos grandes heróis da literatura.
E para quem gosta de jogos de filme, Beowulf: The Game merece uma segunda chance.
Ele não é uma obra-prima escondida do PlayStation 3 e também não vai revolucionar o gênero de ação. Mas é um bom jogo licenciado, divertido, brutal e com personalidade, algo que nem todas as adaptações cinematográficas daquela geração conseguiram alcançar.
No fim das contas, Beowulf: The Game é exatamente aquele tipo de jogo que você coloca no PS3 sem esperar muita coisa e acaba pensando:
“Caralho, isso aqui é muito mais divertido do que eu imaginava.”
E talvez seja justamente por isso que ele continue sendo lembrado com carinho por quem teve a oportunidade de jogá-lo.
Nota: 7,5/10
Pontos positivos:
- Combate divertido e brutal
- Beowulf é um protagonista excelente para um hack and slash
- Chefes e criaturas gigantes
- Boa atmosfera medieval
- Expande o universo do filme
- Ótimo exemplo de jogo de filme competente
Pontos negativos:
- Combate pode ficar repetitivo
- Exploração bastante linear
- Algumas limitações técnicas
- Menos refinado que os grandes hack and slash da geração
Veredito final: um jogo de filme que não revolucionou o gênero, mas entregou uma aventura de ação muito divertida e que merece ser redescoberta pelos fãs do PS3 e, principalmente, pelos fãs do lendário Beowulf.
zodd recomenda:
Se você é fã de jogos de ação, mitologia e principalmente de adaptações de filmes que acabaram esquecidas com o passar dos anos, Beowulf: The Game merece uma chance. Lançado para PlayStation 3 em 2007, o título coloca você no controle do lendário guerreiro em uma aventura repleta de monstros, batalhas violentas e criaturas gigantescas.
O grande destaque é o combate. Beowulf é extremamente poderoso, e isso fica evidente nos golpes pesados, combos, execuções e habilidades especiais. Enfrentar grupos de inimigos e depois encontrar uma criatura gigantesca cria aquela sensação de estar realmente vivendo uma aventura épica.
Outro ponto interessante é que o jogo não simplesmente copia o filme. Ele aproveita seus personagens e acontecimentos para expandir aquele universo, oferecendo uma aventura própria para quem deseja conhecer mais sobre Beowulf.
É verdade que alguns elementos envelheceram, principalmente os gráficos, a inteligência artificial e a variedade dos combates. Ainda assim, isso não impede a diversão.
Para quem possui um PS3 e gosta de jogos de filme, hack and slash ou histórias de guerreiros lendários, Beowulf: The Game é uma recomendação fácil. Não é uma obra-prima, mas é um daqueles jogos que podem surpreender justamente por serem muito mais divertidos do que parecem.
capa do game recomendado:

lembrando o game não foi só lançado para ps3 e sim para multi plataformas como xbox pc ok.
conteúdo adicional:Beowulf: O Jogo – Wikipédia
Tem mais aqui boy:Home – zoddverso