Quando a Capcom lançou Resident Evil 2 Remake em 2019, ela não apenas reviveu um dos maiores clássicos do gênero survival horror, mas também estabeleceu um novo padrão para remakes na indústria dos videogames. O sucesso foi estrondoso. Jogadores e críticos elogiaram a forma como o estúdio conseguiu modernizar um clássico sem perder sua essência. Naturalmente, as expectativas para Resident Evil 3 ficaram nas alturas.
Pouco tempo depois, em 2020, Resident Evil 3 Remake chegou ao mercado cercado de expectativas. A promessa era revisitar a destruição de Raccoon City sob a perspectiva de Jill Valentine, trazendo de volta um dos vilões mais icônicos da história dos games: Nemesis.
O resultado, entretanto, dividiu opiniões.
Enquanto alguns jogadores enxergaram um excelente jogo de ação e sobrevivência, outros ficaram decepcionados com diversas escolhas criativas feitas durante o desenvolvimento. Isso fez com que Resident Evil 3 Remake carregasse uma fama injusta para alguns e merecida para outros.
Mas afinal, o jogo realmente é ruim?
A resposta é não.
Na verdade, Resident Evil 3 Remake é um excelente jogo quando analisado por seus próprios méritos. O problema é que ele precisava representar um dos capítulos mais queridos da franquia e, nesse aspecto, algumas decisões acabaram limitando o enorme potencial da obra.
Um dos jogos mais bonitos da geração
É impossível falar de Resident Evil 3 Remake sem elogiar sua apresentação visual.
A RE Engine mostra mais uma vez por que é considerada uma das melhores engines da atualidade. Cada rua de Raccoon City possui um nível impressionante de detalhes.
Os efeitos de chuva deixam o cenário ainda mais imersivo.
Os reflexos das luzes nos carros abandonados, a fumaça espalhada pelas ruas, os destroços, as explosões e os becos completamente destruídos criam uma atmosfera digna de um filme de Hollywood.
Mesmo anos após seu lançamento, Resident Evil 3 continua sendo um jogo extremamente bonito.
Os modelos dos personagens também impressionam.
Jill Valentine recebeu uma nova aparência bastante convincente, mantendo sua personalidade forte e determinada.
Carlos Oliveira talvez tenha sido quem mais ganhou com o remake. Sua personalidade foi expandida, seu visual ficou mais realista e sua participação na história tornou-se muito mais relevante.
Nemesis também impressiona pelo nível de detalhes.
Sua roupa destruída, a textura da pele deformada e suas expressões agressivas mostram o cuidado artístico da Capcom.
Uma jogabilidade extremamente divertida
Se existe algo que Resident Evil 3 Remake faz muito bem é divertir o jogador.
Seu sistema de movimentação é excelente.
Jill responde rapidamente aos comandos, permitindo uma movimentação muito mais dinâmica do que a vista em Resident Evil 2 Remake.
O grande destaque fica para o sistema de esquiva.
O famoso “Perfect Dodge” é uma das melhores adições feitas ao gameplay moderno da franquia.
Quando executado corretamente, Jill desacelera o tempo por alguns segundos, permitindo um contra-ataque extremamente satisfatório.
Isso transforma muitos confrontos em momentos intensos e recompensadores.
O combate também ficou mais agressivo.
Os zumbis continuam perigosos, mas agora o jogador possui ferramentas suficientes para enfrentá-los sem perder completamente o clima de tensão.
É um equilíbrio interessante entre ação e sobrevivência.
Raccoon City nunca esteve tão viva
Apesar das críticas relacionadas ao tamanho da campanha, é impossível negar que a cidade está magnífica.
As primeiras horas do jogo são espetaculares.
Explorar ruas destruídas enquanto o caos toma conta da cidade transmite exatamente a sensação de um apocalipse zumbi.
Sirenes ecoam ao fundo.
Prédios estão pegando fogo.
Veículos abandonados bloqueiam as ruas.
Helicópteros sobrevoam a cidade.
Tudo parece vivo.
Durante esses momentos iniciais, Resident Evil 3 Remake mostra exatamente o potencial que tinha.
É justamente por isso que muitos jogadores lamentam algumas escolhas feitas posteriormente.
Jill Valentine brilha do começo ao fim
A protagonista é facilmente um dos maiores acertos do remake.
Jill deixou de ser apenas uma sobrevivente para se tornar uma personagem ainda mais humana.
Ela demonstra medo.
Sente raiva.
Fica frustrada.
Mas nunca deixa de lutar.
Seu confronto psicológico com Nemesis também recebe mais atenção.
Ela enfrenta um inimigo praticamente imparável enquanto tenta salvar o maior número possível de pessoas.
A atuação de voz ajuda bastante a construir essa nova versão da personagem.
Hoje, muitos jogadores consideram esta a melhor representação de Jill em toda a franquia.
Carlos Oliveira ganhou muito mais espaço
No jogo original, Carlos era um personagem querido, mas relativamente simples.
No remake, ele ganhou muito mais profundidade.
Seu relacionamento com Jill funciona muito bem.
Os diálogos possuem química.
Os momentos de humor aparecem na medida certa.
Além disso, suas partes jogáveis ajudam a variar o ritmo da campanha.
É difícil imaginar alguém terminando Resident Evil 3 Remake sem gostar do novo Carlos.
Nemesis continua sendo um ícone…
…mas talvez tenha sido justamente ele quem mais sofreu com as mudanças criativas.
Visualmente, Nemesis é espetacular.
Sua presença continua assustadora.
Cada aparição transmite perigo.
Os efeitos sonoros ajudam bastante.
Seu rugido continua causando impacto.
Entretanto, muitos jogadores sentiram falta de algo que tornou o personagem lendário no jogo original.
A imprevisibilidade.
Em Resident Evil 3 clássico, Nemesis podia surgir em diversos momentos inesperados.
Ele perseguia o jogador durante longos trechos da campanha.
Era comum precisar fugir desesperadamente.
Nunca se sabia exatamente quando ele apareceria novamente.
No remake, boa parte desses encontros foi transformada em sequências roteirizadas.
Isso reduz bastante aquela sensação constante de perseguição.
Nemesis continua sendo ameaçador.
Mas deixa de parecer um verdadeiro caçador para funcionar mais como um chefe de fases específicas.
Essa talvez seja a principal crítica feita pelos fãs.
O maior problema nunca foi a qualidade do jogo
Aqui está um ponto importante.
Resident Evil 3 Remake não fracassa porque seja um jogo ruim.
Muito pelo contrário.
Ele possui gráficos excelentes.
Jogabilidade refinada.
Boa direção artística.
Ótimas atuações.
Excelente desempenho técnico.
O problema está nas escolhas criativas.
Quando se compara diretamente ao clássico de 1999, percebe-se que diversos elementos importantes ficaram de fora.
Essas mudanças fizeram muitos fãs sentirem que o remake entregou menos conteúdo do que poderia.
No entanto, isso não significa que a experiência seja ruim.
Se analisarmos Resident Evil 3 Remake apenas como um jogo moderno de ação e sobrevivência, ele continua extremamente competente.
As decisões criativas dividiram a comunidade
É justamente neste ponto que Resident Evil 3 Remake passa de um jogo muito bom para um remake controverso.
O problema nunca foi sua qualidade técnica. O problema foi o caminho escolhido pela Capcom durante o desenvolvimento.
Quem jogou o Resident Evil 3 original lembra da enorme sensação de liberdade. Raccoon City parecia uma cidade viva, cheia de caminhos alternativos, decisões rápidas e momentos imprevisíveis. Cada nova esquina poderia esconder Nemesis.
No remake, boa parte dessa liberdade desapareceu.
A campanha tornou-se muito mais linear.
Em diversos momentos, o jogador apenas segue em frente enquanto eventos acontecem exatamente da forma planejada pelos desenvolvedores.
Essa abordagem funciona para manter o ritmo cinematográfico, mas reduz significativamente a sensação de exploração.
Para quem nunca jogou o clássico, isso talvez nem seja um problema.
Já para os veteranos, ficou evidente que algo importante havia sido perdido.
Os cortes de conteúdo deixaram saudades
Uma das maiores críticas ao remake foi a remoção de áreas extremamente marcantes do jogo original.
Locais como a famosa Torre do Relógio praticamente desapareceram da experiência.
O parque também foi removido.
A clássica Dead Factory acabou substituída por outro cenário.
Esses lugares faziam parte da identidade de Resident Evil 3.
Não eram apenas mapas.
Eles ajudavam a construir a atmosfera da aventura e aumentavam bastante sua duração.
Por isso muitos jogadores sentiram que a campanha terminou justamente quando começava a ganhar ainda mais força.
É importante destacar que esses cortes não tornam o remake um jogo ruim.
Mas diminuem a sensação de que estamos diante da versão definitiva daquele clássico.
Uma campanha curta, mas intensa
Outro ponto bastante discutido é a duração da campanha.
Dependendo da dificuldade e da experiência do jogador, é perfeitamente possível concluir Resident Evil 3 Remake entre cinco e sete horas.
Para alguns isso representa pouco conteúdo.
Para outros, trata-se apenas de uma campanha direta, sem enrolação.
Na prática, dificilmente o jogo fica cansativo.
Quase não existem momentos arrastados.
O ritmo é acelerado praticamente do início ao fim.
Sempre existe alguma explosão, perseguição, luta contra criaturas ou mudança de cenário.
Esse dinamismo faz com que a aventura seja extremamente divertida de revisitar.
Não é raro encontrar jogadores que zeraram Resident Evil 3 Remake diversas vezes justamente porque sua campanha é rápida e muito agradável.
A trilha sonora e o áudio continuam excelentes
Embora não receba tantos elogios quanto os gráficos, o trabalho de áudio merece destaque.
Os efeitos sonoros são extremamente bem produzidos.
Cada tiro possui impacto.
Os passos dos zumbis criam tensão.
Os rugidos de Nemesis continuam intimidadores.
A ambientação sonora consegue transmitir perfeitamente a sensação de uma cidade entrando em colapso.
Mesmo quando não há música tocando, o silêncio trabalha a favor da experiência.
É um detalhe que muitas vezes passa despercebido, mas ajuda bastante na imersão.
O desempenho técnico é um dos grandes acertos
Outro mérito da Capcom foi entregar um jogo muito bem otimizado.
Nos consoles, Resident Evil 3 Remake apresenta excelente estabilidade.
No PC, a situação é ainda melhor.
A RE Engine mostrou novamente sua eficiência.
Mesmo computadores intermediários conseguem rodar o jogo com ótima qualidade gráfica.
Os tempos de carregamento são rápidos.
As animações são suaves.
Os efeitos de iluminação impressionam.
É um daqueles jogos que envelheceram muito bem do ponto de vista técnico.
A comunidade de mods transformou o jogo no PC
Existe um fator que faz Resident Evil 3 Remake ganhar ainda mais valor atualmente: sua comunidade.
No PC, milhares de jogadores continuam produzindo mods para o jogo.
São modificações que vão desde pequenas melhorias gráficas até mudanças completas na experiência.
Há mods que restauram roupas clássicas da Jill.
Outros substituem personagens.
Alguns deixam Nemesis mais parecido com sua versão original.
Também existem melhorias para iluminação, texturas, interface e dificuldade.
Alguns mods adicionam um novo nível de desafio, enquanto outros focam apenas na diversão.
Essa criatividade mantém o jogo vivo mesmo anos depois de seu lançamento.
É um exemplo claro de como a comunidade pode ampliar significativamente a vida útil de um título.
Vale a pena jogar Resident Evil 3 Remake hoje?
Na minha opinião, sim.
E vale muito.
Desde que o jogador saiba exatamente o que encontrará.
Quem espera um remake extremamente fiel ao clássico provavelmente perceberá algumas ausências importantes.
Mas quem procura um excelente jogo moderno de ação e sobrevivência encontrará uma experiência muito competente.
Os gráficos continuam impressionantes.
A jogabilidade é extremamente divertida.
Jill está fantástica.
Carlos recebeu um desenvolvimento excelente.
A campanha, apesar de curta, praticamente não possui momentos fracos.
O sistema de esquiva continua sendo um dos melhores da franquia moderna.
Além disso, jogar Resident Evil 3 logo após Resident Evil 2 Remake cria uma continuidade muito interessante dos acontecimentos em Raccoon City.
Um jogo que merece ser reavaliado
Com o passar dos anos, muitos jogadores começaram a enxergar Resident Evil 3 Remake de uma forma diferente.
No lançamento, boa parte da discussão girava em torno dos conteúdos removidos.
Hoje, a conversa mudou um pouco.
As pessoas passaram a analisar o jogo pelo que ele realmente oferece.
E a verdade é que ele oferece bastante.
Existe diversão.
Existe qualidade técnica.
Existe excelente direção artística.
Existe um gameplay viciante.
Talvez Resident Evil 3 Remake nunca alcance o mesmo status de Resident Evil 2 Remake.
Mas isso não significa que ele seja um fracasso.
Muito pelo contrário.
Ele continua sendo um dos jogos de ação e sobrevivência mais divertidos da franquia moderna.
Conclusão
Resident Evil 3 Remake talvez seja um dos jogos mais incompreendidos da franquia.
Ele foi julgado principalmente pelo que deixou de fazer, quando também merece reconhecimento pelo que conseguiu entregar.
Como remake, realmente existem decisões difíceis de defender.
Os cortes de conteúdo.
A campanha reduzida.
A menor exploração.
O Nemesis excessivamente roteirizado.
São escolhas criativas que impediram o jogo de alcançar um patamar ainda maior.
Entretanto, essas limitações não apagam seus inúmeros méritos.
Resident Evil 3 Remake possui gráficos espetaculares, direção de arte impressionante, excelente otimização, personagens carismáticos, combate divertido e uma ambientação fantástica.
É um jogo que continua extremamente prazeroso de revisitar.
Talvez o maior erro tenha sido compará-lo constantemente ao potencial que ele poderia ter alcançado.
Quando deixamos essa comparação de lado e avaliamos apenas a experiência oferecida, encontramos um título muito competente, divertido e tecnicamente impecável.
Nem todo remake precisa superar o original para ser um bom jogo.
Resident Evil 3 Remake prova exatamente isso.
Vale a pena comprar Resident Evil 3 Remake?
Sem dúvida, principalmente durante uma promoção.
Hoje é muito comum encontrar Resident Evil 3 Remake por preços bastante acessíveis em plataformas digitais como Steam, PlayStation Store e Xbox. Nessas condições, o custo-benefício é excelente.
Mesmo que sua campanha seja relativamente curta, ela entrega uma experiência intensa do começo ao fim. Os gráficos continuam entre os mais bonitos da franquia, a jogabilidade permanece extremamente divertida e Jill Valentine brilha como uma das melhores protagonistas da série. Some a isso uma ótima otimização, excelente desempenho e uma direção de arte impecável, e o resultado é um jogo que envelheceu muito bem.
No PC, o pacote fica ainda mais interessante graças à enorme comunidade de mods. É possível instalar novas roupas, alterar personagens, melhorar texturas, modificar a dificuldade e até adicionar elementos inspirados no jogo original, aumentando bastante a rejogabilidade. Essa criatividade da comunidade mantém o título vivo e oferece novas formas de aproveitar a campanha.
Se você procura um remake idêntico ao clássico de 1999, talvez fique decepcionado com algumas decisões criativas da Capcom. Porém, se busca um excelente jogo de ação e sobrevivência, com ritmo acelerado, combate empolgante e produção de altíssimo nível, Resident Evil 3 Remake merece uma chance.
No fim das contas, ele não é o remake perfeito que muitos imaginavam, mas continua sendo um ótimo jogo. E por um preço promocional, torna-se uma das melhores compras para qualquer fã de Resident Evil ou de jogos de zumbis. É uma aventura que vale a pena conhecer e revisitar, especialmente para quem deseja experimentar uma visão moderna da queda de Raccoon City.
Galeria de imagens de Resident Evil 3 Remake:




Essas imagens são do game base pra deixar você ficar curioso com o g
40 links com conteúdo adicional sobre o assunto:
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