Kenshi: o RPG que não quer ser seu amigo — e por isso mesmo é extraordinário

Existem jogos que querem fazer o jogador se sentir poderoso. Outros querem contar uma história épica na qual o protagonista é destinado a salvar o mundo. Kenshi faz exatamente o contrário.

Ele olha para você e praticamente diz: “Você não é ninguém.”

E talvez seja justamente essa a maior qualidade de toda a experiência.

Lançado oficialmente em 6 de dezembro de 2018 pela independente Lo-Fi Games, Kenshi é um RPG de mundo aberto, sandbox e estratégia em tempo real que abandona completamente a ideia de uma aventura linear. O próprio jogo permite que você seja comerciante, ladrão, rebelde, fazendeiro, guerreiro, escravo, senhor de uma fortaleza ou simplesmente alguém tentando não virar comida de canibal. Seu mundo contínuo ultrapassa 870 km² e não existe um caminho obrigatório para seguir.

Mas existe algo ainda mais impressionante por trás disso tudo: Kenshi nasceu praticamente do sonho de um homem.

Chris Hunt passou anos desenvolvendo o projeto sozinho, enquanto trabalhava como segurança para conseguir sobreviver. Durante os primeiros cinco ou seis anos, ele conciliou o emprego noturno com o desenvolvimento do jogo. Somente depois que Kenshi começou a ganhar força ele conseguiu deixar o trabalho e ampliar a equipe.

E isso torna o resultado ainda mais impressionante.

Kenshi não parece um produto montado para seguir tendências. Ele parece exatamente aquilo que seu criador queria que fosse.

Um mundo brutal.

Um mundo livre.

Um mundo que não precisa de você.


Um mundo que já existia antes de você

A primeira grande diferença de Kenshi está justamente na maneira como ele trata o jogador.

Você não é o escolhido.

Não existe uma profecia esperando por você.

Não existe um rei dizendo que você precisa salvar o reino.

Não existe uma espada lendária esperando pelo seu personagem.

Você começa praticamente como um miserável.

E isso muda completamente a relação com o mundo.

Em muitos RPGs, o universo é construído ao redor do protagonista. Os NPCs esperam por ele, os inimigos esperam por ele, as missões esperam por ele e os acontecimentos mais importantes só acontecem quando o jogador chega.

Kenshi rejeita essa filosofia.

Aqui, você é apenas mais uma peça dentro daquele universo.

As facções possuem seus próprios interesses. Grupos percorrem o mapa. Comerciantes trabalham. Guerreiros lutam. Bandidos atacam. Criaturas circulam pelo território.

O mundo não para para esperar você.

Essa é uma das razões pelas quais Kenshi transmite uma sensação tão impressionante de mundo vivo.

( esta é uma das imagens do game um mundo enorme e impressionante )


A história que você cria

Kenshi não depende de uma campanha tradicional para construir sua narrativa.

A história principal não é uma sequência cinematográfica cuidadosamente preparada.

A sua história nasce do desastre.

Imagine começar com um personagem fraco, sair de uma cidade e encontrar um grupo de bandidos.

Você tenta lutar.

Apanha.

Cai.

Perde sangue.

Talvez alguém consiga carregar seu corpo de volta.

Você sobrevive.

Depois de algum tempo, aquele personagem que era incapaz de enfrentar um inimigo começa a treinar.

Arruma companheiros.

Consegue equipamentos melhores.

Constrói uma base.

Aprende a lutar.

E, muitas horas depois, retorna ao mesmo tipo de região que antes representava uma ameaça mortal.

Agora você é diferente.

Isso é progressão de personagem feita da maneira mais orgânica possível.

Você não ficou poderoso porque uma cutscene declarou que você evoluiu.

Você ficou poderoso porque sofreu para chegar lá.


O combate é brutal

Poucos jogos fazem o combate parecer tão perigoso.

Kenshi utiliza combate em tempo real e permite controlar grupos inteiros. Mas a grande diferença está na maneira como os ferimentos funcionam.

Uma perna machucada pode fazer seu personagem mancar ou até rastejar.

Um braço ferido pode prejudicar sua capacidade de utilizar determinadas armas.

Perda de sangue pode derrubar um personagem.

Ferimentos graves podem resultar em amputações, exigindo posteriormente próteses mecânicas.

Isso transforma cada batalha em algo muito mais importante.

Você não está apenas pensando:

“Consigo derrotar esses caras?”

Está pensando:

“Se eu vencer, quantos dos meus vão conseguir voltar para casa?”

E isso é maravilhoso.

Porque uma vitória pode ser tecnicamente uma derrota.

Você pode derrotar dez inimigos e perder dois membros importantes da sua equipe.

Pode sobreviver a uma batalha, mas ficar tão ferido que outra ameaça consiga terminar o trabalho.

Pode vencer e ainda precisar fugir.

Kenshi entende que sobreviver é diferente de ganhar.

( esta se trata de uma imagem de combate e mostra que hostil não são só os npc’s mais as criaturas carnívoras e outras feras que há no mundo de Kenshi )


A famosa “injustiça” é justamente a justiça do jogo

Muita gente olha para Kenshi e pensa que ele é injusto.

Eu discordo completamente.

Kenshi é brutal, mas é coerente.

O jogo não promete que você será poderoso.

Não promete que será protegido.

Não promete que seus personagens estarão seguros.

O próprio conceito do jogo é justamente permitir que você evolua de vítimas frágeis para guerreiros poderosos sem transformar seus personagens em heróis artificialmente superiores aos NPCs. A descrição oficial destaca que os personagens e NPCs não possuem um tratamento especial de “herói”.

É isso que torna a experiência tão fascinante.

Você pode passar 100 horas construindo uma equipe monstruosa e ainda encontrar alguma coisa que consiga destruir você.

Sempre existe alguém mais louco.

Sempre existe uma região que você não deveria ter visitado.

Sempre existe uma criatura que você não conhecia.

Sempre existe uma facção que pode transformar sua confiança em desespero.

E isso impede que o jogo perca completamente o perigo.


O mapa é um personagem

O mundo de Kenshi é gigantesco.

São mais de 870 quilômetros quadrados de território contínuo, com diferentes ambientes, cidades, regiões e perigos.

Mas o tamanho não é o que mais impressiona.

É a variedade.

Você pode atravessar regiões desérticas, áreas extremamente perigosas, territórios controlados por diferentes facções e locais onde simplesmente permanecer vivo já representa um desafio.

Existem cidades nas quais você pode negociar.

Locais onde pode recrutar personagens.

Áreas onde construir sua própria base.

Territórios dominados por inimigos.

Regiões que parecem completamente abandonadas.

E lugares nos quais você rapidamente percebe que não deveria estar ali.

O mapa não funciona apenas como um cenário bonito.

Ele determina sua estratégia.


As facções tornam o mundo ainda mais interessante

Kenshi possui diversas organizações com interesses próprios.

Você pode colaborar com algumas.

Entrar em conflito com outras.

Ignorar determinadas facções.

Ou simplesmente tentar sobreviver no meio delas.

Isso cria uma experiência política extremamente interessante sem transformar o jogo em um RPG tradicional de escolhas e consequências.

Sua posição no mundo pode mudar.

Sua relação com determinados grupos pode se tornar importante.

E suas ações podem gerar problemas que você nem imaginava.

É um daqueles jogos em que uma decisão aparentemente pequena pode criar uma situação completamente inesperada horas depois.


NPCs que não existem apenas para conversar com você

Outra característica fantástica é a maneira como Kenshi trata seus NPCs.

Eles não são simplesmente bonecos colocados no cenário para entregar missões.

O jogo trabalha com personagens que possuem nomes, vidas e comportamentos próprios. A própria descrição oficial destaca que cada personagem e NPC pode ser tratado como um indivíduo dentro daquele mundo.

E isso contribui para aquela sensação de que o universo existe mesmo quando você não está olhando.

Você pode cruzar com uma pessoa e nunca mais encontrá-la.

Pode recrutar alguém que se tornará essencial para sua equipe.

Pode perder um personagem que acompanhou você durante dezenas de horas.

E é aí que Kenshi começa a criar algo que muitos jogos narrativos tentam fazer através de roteiros:

memórias.


Escravidão, roubo e violência

Kenshi não tem medo de apresentar um mundo extremamente cruel.

Você pode ser roubado.

Pode ser capturado.

Pode ser escravizado.

Pode sofrer ataques.

Pode perder equipamentos.

Pode ser perseguido.

Pode ser humilhado.

E o jogo não transforma essas situações necessariamente em uma missão heroica.

Às vezes você simplesmente precisa dar um jeito de sobreviver.

Isso combina perfeitamente com a proposta pós-apocalíptica de Kenshi.

É um mundo onde a civilização não desapareceu completamente, mas está fragmentada, violenta e extremamente desigual.

E você precisa descobrir onde se encaixa.

( nesse mundo terrível de Kenshi você pode ser roubado escravizado desmembrado e morto é F0d@ né pai )


Construção de bases

Quando finalmente você deixa de ser um completo miserável, surge outra possibilidade fantástica: construir seu próprio lugar no mundo.

Você pode estabelecer uma base, pesquisar tecnologias, melhorar defesas, produzir equipamentos e criar uma estrutura capaz de sustentar seu grupo.

E isso muda novamente o jogo.

No começo, você está preocupado em sobreviver.

Depois, começa a pensar em dinheiro.

Depois, em equipamentos.

Depois, em comida.

Depois, em produção.

Depois, em defesa.

E quando percebe, aquele personagem que estava fugindo de bandidos agora está administrando uma comunidade inteira.

Essa evolução é absurda.


Treinamento e evolução

Kenshi também consegue transformar habilidades em parte da narrativa.

Você não começa como mestre espadachim.

Você precisa treinar.

Precisa lutar.

Precisa sobreviver.

Precisa melhorar.

E isso faz com que cada evolução tenha significado.

A descrição oficial destaca justamente essa transformação: treinar personagens inicialmente frágeis até que se tornem guerreiros extremamente habilidosos.

É uma das melhores representações de progressão que um RPG sandbox poderia oferecer.


A violência faz parte da identidade

Kenshi também não economiza na brutalidade.

Sangue, ferimentos graves, amputações e morte fazem parte da experiência. Não existe aquela tentativa de esconder completamente as consequências físicas do combate.

E isso reforça a atmosfera.

O mundo parece perigoso porque é perigoso.

Você não está enfrentando inimigos que simplesmente desaparecem quando a barra de vida chega a zero.

Os personagens podem sair destruídos de uma batalha.

E você também.


Um sucesso construído na contramão

Talvez a maior vitória de Kenshi esteja justamente em sua trajetória.

Um projeto iniciado essencialmente por Chris Hunt, desenvolvido durante anos com recursos extremamente limitados, acabou se transformando em um fenômeno independente.

Em abril de 2024, a Lo-Fi Games anunciou que Kenshi havia ultrapassado 2,3 milhões de cópias vendidas, destacando também que 2023 havia sido seu melhor ano de vendas até então.

E o sucesso continuou.

Em uma atualização oficial publicada em 2025, a Lo-Fi informou que Kenshi já havia ultrapassado 3 milhões de jogadores/cópias, celebrando também a comunidade de modders, criadores de conteúdo e fãs que ajudaram a manter o jogo vivo.

Na Steam, o jogo continua com avaliação “Extremamente positivas”, com mais de 48 mil avaliações em inglês nessa categoria.

Isso é impressionante para um RPG tão específico.

Kenshi não precisou simplificar sua proposta para conquistar milhões.

Ele encontrou milhões de pessoas dispostas a aceitar suas regras.


Kenshi é diferente porque não tenta ser normal

Essa talvez seja a melhor maneira de definir o jogo.

Kenshi não quer ser Skyrim.

Não quer ser Fallout.

Não quer ser The Witcher.

Não quer ser um RPG convencional.

Ele criou sua própria identidade.

É RPG.

É estratégia.

É sobrevivência.

É gerenciamento.

É construção.

É exploração.

É simulação.

É um pouco de tudo.

Mas, acima de qualquer gênero, Kenshi é uma máquina de criar histórias emergentes.

Você pode começar como um miserável e terminar como líder de uma poderosa organização.

Pode construir uma cidade.

Pode virar comerciante.

Pode se tornar ladrão.

Pode criar um grupo de guerreiros.

Pode explorar o mapa inteiro.

Pode simplesmente tentar sobreviver.

E pode morrer depois de tudo isso.

Essa possibilidade é maravilhosa.


O legado de um sonho

O que torna Kenshi ainda mais especial é lembrar de onde tudo começou.

Chris Hunt passou anos trabalhando praticamente sozinho no projeto, conciliando o desenvolvimento com um emprego de segurança. Depois, o projeto cresceu, uma equipe foi formada e Kenshi finalmente chegou ao público em sua versão completa em 2018.

E hoje existe até Kenshi 2 em desenvolvimento, uma prequela ambientada mil anos antes do primeiro jogo.

É difícil olhar para essa trajetória e não admirar.

Porque Kenshi é, de certa maneira, uma extensão da própria filosofia que representa.

Começou pequeno.

Foi ignorado por muita gente.

Levou uma surra do mercado.

Continuou existindo.

E ficou cada vez mais forte.

Exatamente como seus personagens.

( como pode ver os personagens do game são bem diferentes beirando o vale da estranheza e isso e um dos charmes do game não é igual aos outros .)


Conclusão: Kenshi merece ser chamado de obra-prima

Kenshi é feio em alguns momentos.

É estranho.

É complicado.

É brutal.

É exigente.

Pode ser confuso.

Pode destruir seu grupo.

Pode fazer você perder horas de progresso emocional.

E é justamente por isso que ele é maravilhoso.

Porque Kenshi não está tentando agradar você a todo instante.

Ele está tentando dar liberdade para você existir dentro daquele mundo.

Você não recebe uma história pronta.

Você recebe um universo.

Não recebe um herói.

Você cria um sobrevivente.

Não recebe segurança.

Você conquista força.

Não recebe vitória.

Você conquista o direito de continuar vivo.

E quando finalmente olha para trás e percebe que aquele personagem miserável que apanhava de qualquer bandido agora lidera um grupo poderoso, possui uma base, equipamentos raros e coragem para atravessar regiões que antes pareciam impossíveis, a sensação é indescritível.

Kenshi não conta a história de um herói.

Kenshi conta a história de alguém que se recusou a morrer.

E talvez seja justamente por isso que esse jogo seja tão especial.

Em uma indústria cada vez mais preocupada em criar experiências cuidadosamente controladas, Kenshi continua sendo um monumento à liberdade criativa.

Um jogo feito a partir de um sonho.

Um mundo que não precisa de você.

Um RPG que não promete justiça.

E, paradoxalmente, talvez seja exatamente por tratar o jogador como qualquer outra pessoa daquele universo que Kenshi entrega uma das experiências mais justas, brutais, imprevisíveis e memoráveis que um RPG sandbox pode oferecer.

zodd recomenda :

Se você está procurando um RPG diferente de tudo aquilo que está acostumado a jogar, Kenshi merece uma oportunidade. Aqui, você não é o herói escolhido, não recebe uma espada lendária e muito menos começa dominando o mundo. Você começa como um ninguém e precisa lutar para conquistar absolutamente tudo.

A grande graça está justamente na liberdade. Você pode explorar um mapa gigantesco, recrutar companheiros, montar sua própria base, negociar, lutar, roubar, trabalhar, treinar e construir uma verdadeira comunidade. Mas nunca se esqueça: o mundo é brutal. Você pode ser assaltado, capturado, escravizado, mutilado ou morto.

E é justamente essa dificuldade que torna cada conquista tão satisfatória. Quando aquele personagem que começou apanhando de qualquer inimigo finalmente se transforma em um guerreiro poderoso, a sensação é indescritível.

Kenshi não entrega uma aventura pronta. Ele entrega um mundo e deixa você criar sua própria história. Se você gosta de liberdade, sobrevivência e histórias imprevisíveis, prepare-se para perder dezenas de horas.

Capa do game recomendado:

Tem mais conteúdo adicional sobre:

Mais aqui boy:Home – zoddverso

Agora veja um trailer de kenshi:

 

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