Final Fight: Streetwise — uma analise e um dos clássicos de ps2

Quando falamos em Final Fight, é praticamente impossível não lembrar imediatamente do clássico beat ‘em up lançado pela Capcom nos arcades em 1989. O jogo se tornou uma referência dentro do gênero ao colocar personagens como Cody, Guy e Haggar em uma Metro City dominada por gangues, violência e pancadaria. Anos depois, já na geração PlayStation 2, a Capcom decidiu fazer algo bastante diferente: transformar aquela fórmula clássica em uma experiência 3D.

O resultado foi Final Fight: Streetwise, lançado em 2006. E apesar de ter recebido críticas e de nunca ter alcançado o mesmo reconhecimento do original, existe muita coisa interessante nessa tentativa. Na minha visão, o jogo funciona melhor quando não tentamos enxergá-lo como uma simples continuação do Final Fight de 1989, mas como uma interpretação da franquia para uma nova geração.

Uma nova Metro City

Uma das características que mais chamam atenção em Streetwise é justamente Metro City.

No jogo original, a cidade era representada através de fases 2D, com ruas, fábricas, metrôs e outros ambientes que serviam como palco para as lutas. Em Streetwise, a Capcom tenta transformar essa cidade em um espaço tridimensional.

Essa mudança é importante porque permite que Metro City tenha uma presença muito maior. As ruas são mais abertas, existem becos, estabelecimentos, áreas degradadas e diferentes regiões para atravessar. A cidade transmite aquela sensação de um lugar tomado por gangues e problemas sociais.

É uma Metro City mais suja, decadente e urbana, algo que combina bastante com a proposta do jogo.

E justamente por isso considero interessante a decisão de não simplesmente manter Final Fight como um beat ‘em up 2D tradicional. O PlayStation 2 representava uma geração completamente diferente daquela dos arcades, e a Capcom precisava encontrar uma maneira de levar aquela identidade para o 3D.

Streetwise pode não ter realizado essa transição perfeitamente, mas pelo menos tentou.

Kyle Travers e a ligação com Cody

Outro elemento importante é Kyle Travers, protagonista da aventura.

Kyle é irmão de Cody Travers, um dos personagens mais conhecidos da franquia. Essa conexão funciona como uma ponte entre o passado e o presente.

Em vez de simplesmente colocar Cody novamente como protagonista, a Capcom apresenta uma nova geração de personagens e utiliza Cody como uma figura importante dentro da narrativa. Isso ajuda Streetwise a construir sua própria identidade.

A história gira em torno do desaparecimento de Cody e dos problemas envolvendo o submundo de Metro City. Kyle acaba entrando cada vez mais nesse ambiente, enfrentando gangues e descobrindo os acontecimentos por trás de toda aquela confusão.

A narrativa possui aquele estilo exagerado e característico dos jogos de ação dos anos 2000, mas funciona justamente porque combina com o universo de Final Fight.

Não é uma história que pretende competir com grandes RPGs em profundidade narrativa. Sua função principal é criar uma aventura urbana cheia de conflitos, personagens estranhos, violência e mistério.

E nisso ela cumpre bem seu papel.

( cena iconica de do game com kyle e code numa briga e apostas.)

A transformação do combate

Talvez a maior mudança esteja justamente na jogabilidade.

O Final Fight original era extremamente simples em sua essência: andar para frente, enfrentar inimigos, utilizar golpes, agarrões e objetos do cenário e continuar avançando.

Streetwise leva essa ideia para o 3D.

Agora existe movimentação tridimensional, exploração e uma variedade maior de situações de combate. O jogador pode utilizar diferentes golpes, enfrentar grupos de inimigos e utilizar armas encontradas pelo cenário.

Não é um sistema de combate perfeito e algumas limitações ficam evidentes atualmente, principalmente quando analisamos câmera e controles. Porém, existe uma característica importante: ele continua tentando preservar a essência da pancadaria de rua.

Você entra em uma região, encontra uma gangue e começa a distribuir porrada.

É simples, direto e divertido.

E quando jogado acompanhado, essa característica fica ainda mais interessante.

O modo cooperativo é um dos grandes destaques

Para quem cresceu jogando Final Fight, poder jogar com um amigo é uma parte fundamental da experiência.

O cooperativo de Streetwise recupera justamente aquela sensação clássica de sentar ao lado de alguém e avançar pela aventura juntos.

Dois jogadores enfrentando inimigos, atravessando as fases e simplesmente causando confusão pelas ruas de Metro City.

Isso dá ao jogo uma sensação quase de arcade.

É aquele tipo de experiência em que você chama um amigo, pega o segundo controle e pensa:

( esta cana e demais o bar essa briga do bar e muito sinistra top demais vei.)

“Vamos zerar isso aqui.”

Mesmo que determinados aspectos técnicos do jogo sejam questionáveis, essa possibilidade aumenta bastante a diversão. O gênero beat ‘em up sempre funcionou muito bem com dois jogadores, e Streetwise consegue transportar essa característica para uma produção 3D.

Uma trilha sonora que combina com a cidade

Outro aspecto que merece muito mais reconhecimento é a trilha sonora.

A Capcom sempre teve uma tradição muito forte quando o assunto é música nos videogames, e Streetwise utiliza uma identidade sonora muito diferente da dos jogos antigos.

Aqui encontramos uma atmosfera muito mais urbana, com influências de rock, hip-hop e sons agressivos que combinam com as ruas de Metro City.

A música ajuda a construir a identidade do jogo.

Você está andando por uma cidade decadente, cercado por gangues e violência, e a trilha sonora reforça justamente essa sensação.

Ela não tenta transformar Streetwise em uma simples homenagem nostálgica ao passado. Pelo contrário: a trilha ajuda a mostrar que estamos diante de um Final Fight pertencente à geração PS2.

A estética dos anos 2000

Existe também algo muito interessante quando olhamos para Streetwise atualmente: ele é extremamente representativo de sua época.

O jogo possui aquela estética urbana exagerada que aparecia em vários títulos do começo dos anos 2000.

Personagens com visual agressivo, ambientes decadentes, gangues, violência, armas e uma atmosfera mais sombria.

É quase uma fotografia de uma época da indústria em que várias franquias clássicas estavam tentando encontrar seu espaço no mundo 3D.

Algumas conseguiram fazer a transição de maneira brilhante. Outras tropeçaram.

Streetwise fica em uma posição intermediária.

Ele possui problemas técnicos e decisões que podem parecer estranhas atualmente, mas também possui personalidade suficiente para não ser confundido com qualquer outro jogo.

( a zona urbana do game e muito especial te traz nostalgia.)

Por que Streetwise merece ser lembrado?

A principal razão é simples: ele tentou fazer alguma coisa diferente.

A Capcom poderia ter simplesmente produzido outro Final Fight 2D. Em vez disso, decidiu transformar a franquia em uma experiência 3D, expandir Metro City, apresentar Kyle Travers, trabalhar uma história mais urbana e trazer o espírito da pancadaria para uma nova geração.

O resultado não é perfeito.

Mas videogames também são interessantes justamente por causa dessas experiências.

Final Fight: Streetwise representa uma época em que as desenvolvedoras ainda estavam experimentando maneiras de transformar franquias clássicas em experiências tridimensionais.

E quando analisamos o jogo por esse ponto de vista, suas qualidades ficam mais evidentes.

A cidade possui personalidade. A história tem sua própria identidade. Kyle funciona como uma tentativa de renovar os protagonistas. O combate mantém a essência da pancadaria. O cooperativo recupera o espírito arcade. E a trilha sonora combina perfeitamente com a atmosfera urbana.

No final das contas, Final Fight: Streetwise não precisa ser considerado uma substituição do clássico.

Ele pode simplesmente existir ao lado dele.

O Final Fight original continua sendo um dos grandes representantes dos beat ‘em ups, enquanto Streetwise representa uma tentativa da Capcom de imaginar como aquela mesma ideia poderia funcionar em um mundo 3D.

E talvez seja justamente isso que faça o jogo tão interessante para quem gosta dele.

Streetwise não é o Final Fight que ficou preso ao passado. É o Final Fight que tentou descobrir como sobreviver em uma nova geração.

Para alguns jogadores, essa mudança não funcionou. Para outros, como nós, ela ajudou a criar uma experiência diferente, urbana e extremamente característica do PlayStation 2.

E depois de tantos anos, poder colocar dois controles, entrar em Metro City e sair na porrada com um amigo continua sendo uma ótima maneira de aproveitar esse curioso capítulo da história da Capcom.

zodd recomenda:

Se você gosta de jogos de PS2 com personalidade e tem curiosidade para conhecer uma versão diferente de uma franquia clássica, Final Fight: Streetwise merece uma oportunidade. A Capcom pegou a fórmula tradicional de Final Fight e tentou adaptá-la para o 3D, criando uma Metro City mais urbana, decadente e cheia de gangues.

O jogo coloca Kyle Travers no centro da história e ainda mantém conexões importantes com o universo clássico, principalmente através de Cody. A campanha combina exploração, combates corpo a corpo, armas e uma narrativa com aquele estilo exagerado dos jogos de ação dos anos 2000.

Um dos maiores atrativos é o multiplayer, que permite compartilhar a pancadaria com um amigo e recuperar aquela sensação dos antigos arcades. Jogar em dupla deixa a experiência ainda mais divertida, principalmente para quem gosta de simplesmente pegar um controle e avançar pelas fases distribuindo porrada.

A trilha sonora também merece destaque, trazendo uma identidade urbana que combina perfeitamente com a Metro City dessa nova versão.

Streetwise possui problemas técnicos e está longe de ser perfeito, mas justamente por tentar fazer algo diferente ele acabou se tornando um título curioso da biblioteca do PS2. Se você gosta de jogos esquecidos dessa geração, vale colocar esse aqui na lista.

capa do game recomendado:

conteúdo adicional:https://pt.wikipedia.org/wiki/Final_Fight?utm_source=chatgpt.com

Tem mais aqui boy:Home – zoddverso

Relembre o trailer do game aqui assista aqui mesmo:

 

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