Poucos personagens recentes do cinema conseguiram conquistar o público com tanta facilidade quanto Cliff Booth. Interpretado por Brad Pitt em Era Uma Vez em… Hollywood, o personagem rapidamente se tornou uma das figuras mais marcantes da história criada por Quentin Tarantino. Tranquilo, confiante, misterioso e extremamente perigoso quando necessário, Cliff é aquele tipo de personagem que parece não precisar provar absolutamente nada para ninguém.
Agora, ele está de volta.
A continuação, intitulada The Further Mis-Adventures of Cliff Booth, promete levar o personagem para uma nova aventura ambientada anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. E existe uma mudança gigantesca por trás das câmeras: Quentin Tarantino continua responsável pelo roteiro, mas quem assume a direção é David Fincher, um dos cineastas mais reconhecidos de Hollywood.
Essa combinação torna o projeto especialmente interessante. Temos novamente Cliff Booth, interpretado por Brad Pitt, mas agora vivendo uma nova fase de sua vida, dentro de uma Hollywood diferente daquela apresentada no filme de 2019.
Cliff Booth está de volta
No primeiro filme, Cliff Booth era muito mais do que simplesmente o dublê de Rick Dalton.
Ele era motorista, ajudante, amigo e praticamente o braço direito do ator. Enquanto Rick enfrentava suas inseguranças profissionais e tentava descobrir qual seria seu futuro em Hollywood, Cliff parecia viver completamente à parte dessas preocupações.
E talvez seja justamente essa tranquilidade que torne o personagem tão interessante.
Cliff não demonstra a necessidade de mostrar que é perigoso. Ele simplesmente é.
Quando uma situação começa a ficar complicada, o personagem mantém praticamente a mesma expressão. Isso cria um contraste excelente com outros personagens do filme, que frequentemente entram em pânico ou demonstram medo.
A sequência na Spahn Ranch é um dos melhores exemplos disso. Cliff entra em um ambiente extremamente perigoso cercado por membros da Família Manson e não parece compreender completamente — ou simplesmente não se importa — com o tamanho do problema em que está entrando.
E quando a violência finalmente explode, fica evidente que aquele sujeito não é um simples dublê de Hollywood.

( primeira aparição de cliff booth.)
Um protagonista perfeito para uma nova história
O grande diferencial da continuação é justamente colocar Cliff Booth no centro da narrativa.
No primeiro filme, Rick Dalton era uma das figuras principais, enquanto Cliff funcionava como seu companheiro inseparável. Agora, a história promete explorar ainda mais o próprio Cliff e suas novas aventuras.
O título The Further Mis-Adventures of Cliff Booth já deixa isso bastante claro.
A ideia de acompanhar esse personagem anos depois abre inúmeras possibilidades. Cliff não é um protagonista tradicional. Ele não precisa de grandes discursos ou de uma motivação exageradamente explicada.
O simples fato de colocá-lo em uma situação complicada já é suficiente para criar curiosidade.
Afinal, quem não gostaria de descobrir em que tipo de problema esse sujeito conseguiu se meter dessa vez?

( cena icônica do primeiro filme cliff vs bruce.)
O salto para 1977
Outro elemento importante é o período em que a nova história acontece.
Enquanto Era Uma Vez em… Hollywood estava ambientado principalmente em 1969, a continuação avança para 1977.
São oito anos de diferença.
E isso significa uma Hollywood completamente diferente.
O cinema americano passou por enormes transformações durante esse período. O cenário cultural mudou, novos estilos de filmes ganharam força e a indústria entrou em uma nova fase.
Cliff Booth estará, portanto, vivendo em um mundo diferente daquele que conhecemos no primeiro filme.
Isso pode ser muito interessante porque o personagem também terá envelhecido.
Não estamos simplesmente vendo o mesmo Cliff de 1969 repetindo as mesmas coisas. Estamos diante de um homem que passou por mais anos de vida, experiências e provavelmente problemas.
David Fincher assume a direção
Talvez a maior surpresa da continuação esteja justamente atrás das câmeras.
Quentin Tarantino escreveu a história, mas David Fincher será o responsável pela direção.
Fincher é conhecido por filmes como Se7en, Clube da Luta, Zodíaco, Garota Exemplar e A Rede Social. Seu cinema costuma apresentar uma atmosfera muito controlada, fotografia marcante, tensão e personagens envolvidos em situações cada vez mais complicadas.
Isso cria uma combinação bastante curiosa com Tarantino.
Tarantino possui uma identidade cinematográfica extremamente reconhecível, marcada por diálogos extensos, humor peculiar, violência estilizada, personagens memoráveis e referências à cultura pop.
Fincher trabalha de maneira diferente.
Seu cinema frequentemente aposta em tensão, suspense, investigação, ambientes sombrios e uma direção visual extremamente precisa.
Agora imagine tudo isso aplicado a Cliff Booth.
É justamente aí que a continuação pode ganhar uma personalidade própria.
Brad Pitt novamente como Cliff Booth
É difícil imaginar outra pessoa interpretando Cliff Booth.
Brad Pitt conseguiu transformar o personagem em uma das grandes atrações de Era Uma Vez em… Hollywood. Sua interpretação mistura humor, carisma e uma presença física que faz o público acreditar que Cliff realmente é capaz de enfrentar praticamente qualquer situação.
E existe uma característica muito importante na atuação: Pitt não interpreta Cliff como alguém que está constantemente tentando parecer durão.
Pelo contrário.
Ele parece estar se divertindo.
Cliff pode estar diante de uma situação perigosa e continuar agindo como se estivesse apenas cumprindo mais um dia de trabalho.
Essa característica deixa o personagem ainda mais interessante.
Agora, com Brad Pitt retornando ao papel, existe a possibilidade de vermos uma versão mais velha e experiente do protagonista.

( cliff com visual novo.)
A sombra do passado
Outro ponto que sempre chamou atenção em Cliff Booth é seu passado misterioso.
O filme original apresenta uma dúvida envolvendo a morte de sua esposa e nunca transforma completamente essa questão em uma explicação tradicional.
Tarantino deixa espaço para o público interpretar o personagem.
Cliff pode parecer extremamente simpático em determinados momentos, mas existe sempre uma sensação de que há alguma coisa escondida por trás daquele sorriso.
Essa ambiguidade é uma das razões pelas quais ele funciona tão bem.
E uma continuação centrada nele pode explorar justamente esse lado.
O público já conhece sua capacidade física. Agora existe espaço para descobrir mais sobre o homem por trás daquele comportamento tranquilo.
Uma nova aventura dentro do universo de Tarantino
É importante lembrar que esse projeto não precisa simplesmente repetir a fórmula do primeiro filme.
Era Uma Vez em… Hollywood funcionava como uma grande carta de amor à Hollywood de 1969, misturando personagens reais e fictícios em uma versão alternativa daquele período.
A continuação pode seguir outro caminho.
Agora temos 1977, Cliff Booth como protagonista e David Fincher assumindo a direção.
Isso permite que a história tenha uma identidade própria.
Ao mesmo tempo, o roteiro de Tarantino mantém a conexão com o universo original.
Essa mistura pode ser justamente o grande atrativo do filme.
Cliff Booth merece esse retorno
Cliff Booth é um daqueles personagens que deixam vontade de ver mais.
Ele não teve sua história completamente encerrada no primeiro filme. Na verdade, sua personalidade é tão peculiar que praticamente qualquer nova aventura envolvendo o personagem pode funcionar como ponto de partida.
E agora temos uma situação ainda mais interessante.
Cliff está mais velho.
A Hollywood mudou.
Tarantino escreveu uma nova história.
David Fincher está dirigindo.
E Brad Pitt está novamente no papel.
Tudo isso faz de The Further Mis-Adventures of Cliff Booth uma continuação bastante diferente do que normalmente esperamos de uma sequência.
Mais do que simplesmente retornar ao universo de Era Uma Vez em… Hollywood, o filme promete colocar um dos personagens mais carismáticos daquela história novamente no centro das atenções.
E, sinceramente, se existe alguém que parece capaz de transformar uma simples situação cotidiana em uma aventura completamente insana, esse alguém é Cliff Booth.
O personagem já provou que não precisa procurar problemas.
Os problemas simplesmente encontram Cliff.
zodd recomenda:
Se você ainda não assistiu a Era Uma Vez em… Hollywood, essa é a hora perfeita para conhecer a história de Rick Dalton e, principalmente, Cliff Booth. Dirigido e escrito por Quentin Tarantino, o filme apresenta uma Hollywood de 1969 cheia de personagens marcantes, referências ao cinema e situações que só poderiam acontecer dentro da cabeça do diretor.
Brad Pitt rouba a cena como Cliff Booth, um dublê extremamente habilidoso, tranquilo e misterioso, que parece não ter medo de praticamente nada. Ao lado de Leonardo DiCaprio, ele forma uma das duplas mais divertidas e carismáticas do cinema recente.
O filme mistura drama, comédia, ação e uma boa dose da violência característica de Tarantino. Além disso, conhecer o primeiro longa é essencial para entender a importância de Cliff antes de acompanhar suas novas aventuras em The Further Mis-Adventures of Cliff Booth.
Vale muito a pena assistir!
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