Dentro do universo de Resident Evil existem personagens que precisam de horas e horas de história para conquistar os jogadores. Temos protagonistas como Leon S. Kennedy, Jill Valentine, Chris Redfield e Claire Redfield, todos com personalidades marcantes, histórias complexas e participações importantes ao longo da franquia.
Mas existe um personagem que conseguiu construir uma das maiores reputações da série fazendo praticamente o contrário.
Ele quase não fala.
Não sabemos praticamente nada sobre sua vida pessoal.
Sua verdadeira identidade continua envolta em mistério.
Ele aparece poucas vezes.
E, mesmo assim, quando HUNK entra em cena, fica imediatamente claro que estamos diante de alguém extremamente perigoso.
Conhecido pelo apelido de Grim Reaper, ou simplesmente Ceifador, HUNK é um dos agentes mais letais associados à Umbrella Corporation. Seu nome se tornou praticamente uma lenda entre os fãs de Resident Evil, principalmente depois de sua participação em The 4th Survivor, um dos conteúdos extras mais memoráveis da franquia.
E quanto mais conhecemos suas façanhas, mais fica evidente uma coisa: HUNK merece muito mais reconhecimento dentro de Resident Evil.
Quem é HUNK?
Essa é justamente uma das perguntas mais interessantes.
HUNK é um agente altamente especializado ligado às operações da Umbrella. Diferentemente de protagonistas tradicionais da franquia, ele não possui uma biografia detalhada apresentada ao público.
Seu nome verdadeiro nunca foi revelado de maneira convencional.
Sua idade, sua família, sua vida antes da Umbrella e diversos outros detalhes permanecem desconhecidos.
A Capcom construiu o personagem justamente em cima desse mistério.
HUNK não precisa contar sua história para provar que é perigoso.
Ele demonstra isso através das missões.
O personagem pertence ao tipo de soldado que recebe uma ordem extremamente difícil e simplesmente vai cumprir.
Não importa se o local está infestado de zumbis, criaturas geneticamente modificadas ou agentes inimigos. Para HUNK, existe um objetivo, e ele precisa ser concluído.
É justamente essa personalidade silenciosa que faz dele um personagem tão diferente dentro da franquia.
Enquanto Leon pode fazer piadas, Chris pode demonstrar sua personalidade explosiva e Jill pode expressar medo ou preocupação, HUNK parece funcionar em outro nível.
Ele está sempre concentrado.
Sempre profissional.
Sempre preparado.
E talvez seja justamente por isso que o apelido Grim Reaper combine tanto com ele.

( imagem no nosso personagem Hunk em Re4 remake.)
O sobrevivente de Raccoon City
A maior demonstração das habilidades de HUNK acontece durante os acontecimentos de Resident Evil 2.
A missão da equipe da Umbrella era extremamente perigosa: recuperar uma amostra do G-Vírus.
Só que a operação acaba em desastre.
William Birkin se transforma em uma criatura monstruosa depois de ser infectado pelo próprio vírus, e os agentes da Umbrella enviados para recuperar a amostra acabam enfrentando uma situação muito pior do que poderiam imaginar.
A equipe de HUNK é praticamente destruída.
E então acontece uma das características mais marcantes do personagem:
HUNK sobrevive.
É daí que nasce sua fama como um dos agentes mais eficientes da Umbrella.
No cenário de Raccoon City, onde policiais, civis, soldados e agentes altamente treinados lutam desesperadamente para sobreviver, HUNK consegue cumprir sua missão e chegar ao ponto de extração.
É exatamente essa história que é explorada em The 4th Survivor.
The 4th Survivor mostrou o verdadeiro HUNK
Para muitos jogadores, The 4th Survivor foi o momento em que HUNK deixou de ser apenas um personagem misterioso e passou a ser uma verdadeira lenda.
O modo coloca o jogador no controle do agente depois dos acontecimentos principais de Resident Evil 2.
HUNK precisa atravessar uma Raccoon City completamente tomada por criaturas para chegar ao ponto de extração.
E existe uma diferença importante em relação à campanha tradicional.
Você não está jogando com um policial novato tentando descobrir o que está acontecendo.
Você está controlando um agente treinado para operações extremamente perigosas.
Isso muda completamente a sensação.
HUNK sabe usar seu equipamento.
Sabe lidar com os inimigos.
Sabe quando lutar e quando simplesmente continuar avançando.
O objetivo é sobreviver.
E isso transforma The 4th Survivor em uma espécie de demonstração prática da reputação do personagem.
O mais interessante é que HUNK continua praticamente sem falar.
A ação é responsável por contar a história.
Ele atravessa corredores infestados, elimina criaturas e continua avançando como se estivesse realizando mais uma missão.
É uma maneira muito eficiente de construir um personagem.

( esta cena é famosa se trata de o quarto sobrevivente e este é o Hunk no final da DLC todo sujo de sangue.)
O homem que quase não precisa de diálogos
Talvez essa seja a maior qualidade de HUNK.
A Capcom conseguiu fazer com que o silêncio se transformasse em parte da identidade dele.
Imagine outro personagem entrando em uma sala cheia de monstros.
Provavelmente haveria gritos, comentários, frases de efeito ou algum momento de humor.
HUNK simplesmente olha para a situação e começa a trabalhar.
Isso faz dele uma espécie de contraste com os protagonistas tradicionais.
E não significa que ele seja desprovido de personalidade.
Muito pelo contrário.
Sua personalidade é construída através de comportamento.
Ele é extremamente profissional, calculista e focado.
Não parece buscar reconhecimento.
Não precisa provar que é o melhor.
Não fica fazendo discursos.
Ele simplesmente faz o trabalho.
Isso é raro em videogames.
E é justamente por isso que HUNK conseguiu conquistar uma base de fãs tão apaixonada mesmo tendo relativamente pouco tempo de tela.
O projeto cancelado que poderia ter mudado tudo
Existe ainda uma parte fascinante da história de HUNK que durante muito tempo ficou conhecida principalmente entre os fãs mais antigos: o conceito de um projeto de Resident Evil que colocaria HUNK no centro de uma aventura em um navio.
O projeto, frequentemente associado ao nome “BIOHAZARD 3” ou “Ship BIO”, fazia parte de uma fase bastante complicada do desenvolvimento da franquia.
A ideia envolvia HUNK em uma operação relacionada ao G-Vírus a bordo de um navio.
E basta imaginar o conceito para perceber o potencial.
HUNK.
Um navio isolado.
Uma missão envolvendo material biológico.
Criaturas.
Corredores estreitos.
Laboratórios secretos.
E praticamente nenhum lugar para fugir.
Seria uma combinação perfeita para Resident Evil.
Mas o desenvolvimento acabou seguindo outros caminhos.
O projeto que conhecemos como Resident Evil 3: Nemesis acabou sendo desenvolvido como o terceiro grande capítulo da série, colocando Jill Valentine novamente como protagonista e introduzindo o lendário Nemesis.
Enquanto isso, a história do projeto do navio permaneceu como uma das curiosidades mais interessantes da produção da franquia.
E fica aquela pergunta inevitável:
e se aquele jogo tivesse realmente sido lançado?
Talvez HUNK tivesse se tornado muito mais conhecido.
Talvez tivesse ganhado uma campanha própria décadas antes.
Talvez a Capcom tivesse descoberto muito mais cedo o potencial comercial do personagem.
HUNK e o potencial para um jogo próprio
Hoje, olhando para a franquia, é difícil não imaginar um jogo totalmente protagonizado pelo Ceifador.
E não seria necessário transformar HUNK em um personagem completamente diferente.
Na verdade, o segredo seria justamente preservar aquilo que já funciona.
Um jogo de HUNK poderia apostar em uma experiência mais tática, com operações secretas da Umbrella, instalações abandonadas, laboratórios, missões de recuperação de armas biológicas e situações em que o jogador precisasse administrar munição e recursos.
Seria possível contar histórias paralelas aos acontecimentos principais de Resident Evil.
Enquanto Leon enfrenta uma determinada ameaça, HUNK poderia estar realizando outra missão em uma instalação próxima.
Enquanto Claire tenta escapar de determinado local, HUNK poderia estar procurando uma amostra.
Enquanto Jill enfrenta Nemesis, HUNK poderia estar executando uma operação completamente diferente.
Isso permitiria à Capcom expandir o universo sem precisar alterar excessivamente os acontecimentos principais.
Um Resident Evil diferente
Um jogo de HUNK também poderia apresentar uma atmosfera diferente.
Os jogos tradicionais da franquia frequentemente colocam o jogador na posição de alguém tentando sobreviver.
Com HUNK, poderíamos inverter parcialmente essa lógica.
Você ainda teria medo.
Ainda teria recursos limitados.
Ainda existiriam criaturas aterrorizantes.
Mas você seria um profissional treinado.
Isso poderia resultar em uma experiência mais agressiva e estratégica.
Imagine entrar em uma instalação contaminada sabendo que existem Hunters no local.
Você possui poucas granadas.
Sua munição é limitada.
O rádio informa que uma equipe inimiga está chegando.
O objetivo é recuperar uma amostra.
E existe apenas uma rota de saída.
Essa seria a oportunidade perfeita para transformar HUNK em protagonista sem destruir sua essência.
A Capcom parece perceber o potencial
Nos últimos anos, HUNK voltou a chamar atenção dos fãs justamente por aparecer ou ser associado a projetos importantes da franquia.
A presença de referências e participações relacionadas ao personagem em novos materiais fez com que muitos jogadores começassem a questionar se a Capcom finalmente pretende utilizar mais o Ceifador.
O remake de Resident Evil Code: Veronica também aumentou essa discussão entre os fãs, especialmente pela presença de HUNK em material relacionado ao projeto, algo que não acontecia da mesma forma no jogo original.
Isso não significa automaticamente que a Capcom esteja preparando um jogo solo.
É importante deixar isso claro.
Uma aparição não é confirmação de uma campanha própria.
Um rumor não é anúncio oficial.
Mas existe uma diferença entre dizer que algo foi confirmado e perceber que determinado personagem está recebendo mais atenção.
E é exatamente isso que torna a situação interessante.
HUNK passou décadas sendo praticamente um personagem de culto.
Agora, qualquer nova aparição dele chama imediatamente a atenção.
E Resident Evil Requiem?
Outro projeto que colocou HUNK novamente no centro das discussões é Resident Evil Requiem.
A possibilidade de uma participação importante do personagem fez com que os fãs voltassem a discutir seu papel dentro da franquia e, principalmente, sua importância para o futuro da história.
HUNK funciona muito bem como uma peça escondida do universo de Resident Evil.
Ele pode estar envolvido em acontecimentos que os protagonistas nem sequer conhecem.
Pode trabalhar para organizações diferentes.
Pode investigar armas biológicas.
Pode recuperar informações.
Pode simplesmente receber uma missão aparentemente impossível.
E isso abre inúmeras possibilidades narrativas.
O mais interessante é que a Capcom pode utilizar HUNK sem precisar explicar completamente quem ele é.
Quanto menos soubermos, melhor.

( esta e mais uma aparição do Hunk em Re9 Requiem o comandante.)
O mistério é justamente o poder do personagem
Existe uma tentação natural em videogames de explicar tudo.
Quem é o personagem?
De onde veio?
Quem são seus pais?
Por que ele virou soldado?
Qual é sua motivação?
Qual é seu maior medo?
No caso de HUNK, talvez seja melhor não responder todas essas perguntas.
O mistério é parte fundamental do personagem.
Ele é quase uma lenda urbana dentro do universo de Resident Evil.
Os outros personagens sabem que ele existe.
Sabem que ele é extremamente eficiente.
Sabem que ele sobrevive a situações absurdas.
Mas ninguém parece conhecer completamente o homem por trás da máscara.
E isso é muito mais interessante do que uma longa biografia.
HUNK merece reconhecimento
Resident Evil possui alguns dos personagens mais famosos da história dos videogames.
Leon Kennedy se tornou um dos maiores rostos da franquia.
Jill Valentine é uma das personagens femininas mais importantes do gênero.
Chris Redfield atravessou praticamente toda a história da série.
Claire também conquistou uma legião de fãs.
Mas HUNK ocupa um espaço diferente.
Ele é o personagem que aparece pouco e mesmo assim consegue deixar uma impressão enorme.
É o soldado que sobrevive quando praticamente todos os outros caem.
É o homem que entra no inferno e sai carregando a missão nas costas.
É o agente que não precisa falar para intimidar.
E é justamente por isso que um jogo solo faria tanto sentido.
O jogo que os fãs ainda querem
Imagine um título chamado Resident Evil: HUNK.
A história poderia começar anos antes de Raccoon City.
Depois avançar para a operação do G-Vírus.
Em seguida mostrar outras missões secretas da Umbrella.
Poderíamos visitar laboratórios desconhecidos, navios, instalações militares e cidades contaminadas.
O jogador conheceria diferentes operações de HUNK sem necessariamente descobrir tudo sobre ele.
Algumas missões poderiam terminar abruptamente.
Outras poderiam mostrar apenas consequências dos acontecimentos.
E, no final, HUNK simplesmente receberia uma nova ordem.
Ele colocaria a máscara.
Pegaria sua arma.
E sairia.
Sem discurso.
Sem grande despedida.
Porque HUNK não precisa disso.
O Ceifador ainda tem muito a oferecer
HUNK é um personagem que poderia facilmente ser transformado em protagonista sem perder sua identidade.
Na verdade, sua personalidade silenciosa poderia ser justamente o diferencial de um jogo próprio.
A Capcom já possui o personagem.
Já possui o conceito.
Já possui uma história de sobrevivência lendária.
Já possui fãs pedindo mais.
E possui décadas de acontecimentos nos quais HUNK poderia ser inserido.
O que falta é apenas a decisão de transformar esse potencial em um projeto maior.
Depois de tantos anos, talvez tenha chegado a hora.
HUNK não precisa substituir Leon, Jill, Chris ou Claire.
Ele pode existir ao lado deles.
Pode ser o agente das missões que ninguém mais consegue realizar.
O homem enviado quando uma situação é considerada impossível.
O soldado que aparece quando uma operação precisa ser concluída a qualquer custo.

( imagem rara de Hunk sem mascara no Re3 no final.)
O Ceifador.
E talvez seja justamente esse mistério que faça HUNK continuar sendo tão fascinante.
Enquanto outros personagens contam suas histórias, HUNK permanece nas sombras.
Enquanto outros procuram reconhecimento, ele simplesmente cumpre sua missão.
Enquanto outros tentam sobreviver ao horror de Resident Evil, HUNK entra nele voluntariamente.
E sai vivo.
HUNK é um dos personagens mais sinistros, silenciosos e letais da franquia.
Agora só falta a Capcom perceber aquilo que os fãs já sabem há muito tempo:
esse homem merece um jogo só dele.
zodd recomenda:
Recomendação: jogue como HUNK e sinta a pressão do Ceifador
Se você realmente quer entender por que HUNK se tornou um dos personagens mais respeitados de Resident Evil, minha recomendação é simples: jogue The 4th Survivor em Resident Evil 2. É aqui que o personagem mostra, na prática, por que recebeu o apelido de “Grim Reaper”. Depois de sua equipe ser massacrada por William Birkin, HUNK precisa atravessar uma Raccoon City infestada para chegar ao ponto de extração carregando uma amostra do G-Vírus.
E não espere moleza. O modo coloca uma quantidade limitada de recursos nas suas mãos e joga criaturas pelo caminho inteiro. É pressão do começo ao fim. Você precisa saber quando atirar, quando economizar munição e quando simplesmente correr. É praticamente uma prova de sobrevivência para o jogador.
Também vale conferir HUNK no Resident Evil 2 Remake, onde o 4º Sobrevivente ganhou uma apresentação ainda mais caprichada, além de suas participações em The Umbrella Chronicles e The Darkside Chronicles. Ele também aparece como personagem jogável em modos extras de Resident Evil 4, Revelations, Revelations 2 e outros títulos.
Mas se você quiser sentir de verdade a pressão de ser HUNK, comece pelo 4º Sobrevivente. Coloque a máscara, pegue o equipamento e tente sair vivo de Raccoon City.
Aí você vai entender por que esse homem é chamado de Ceifador.

( esta se trata de umas das imagens de capa da Dlc de Resident evil 2 remake o 4 sobrevivente.)
Conteúdo adicional sobre Hunk:HUNK: The Fearless and Fearsome 4th Survivor | Under The Umbrella | Contents | Resident Evil Portal | CAPCOM
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