A Game Science voltou a chamar a atenção dos jogadores com uma nova demonstração de Black Myth: Zhong Kui, e desta vez a surpresa não está apenas nos gráficos impressionantes ou na qualidade do combate. O que realmente chama atenção é a identidade que o estúdio está construindo para o novo jogo.
Depois do enorme sucesso de Black Myth: Wukong, seria muito fácil imaginar que a Game Science simplesmente repetiria a fórmula que conquistou milhões de jogadores. Porém, a nova gameplay mostra justamente o contrário. Zhong Kui parece estar seguindo um caminho próprio, com personagens diferentes, criaturas completamente novas, uma atmosfera mais sombria e uma abordagem muito particular da mitologia chinesa.
E existe uma surpresa especialmente interessante: muita gente imaginava que o próprio Zhong Kui seria o protagonista. Porém, tudo indica que o personagem que controlamos é um humano, enquanto Zhong Kui ocupa outro papel dentro da narrativa.
Essa escolha pode ser justamente uma das grandes cartas escondidas pela Game Science.
MUITA GENTE ESPERAVA JOGAR COM ZHONG KUI
Quando o projeto foi revelado, era natural imaginar que o jogador assumiria o controle do lendário Zhong Kui. Afinal, o nome do jogo carrega o nome dessa importante figura da tradição chinesa.
Porém, a nova demonstração colocou essa interpretação em dúvida.
O protagonista apresentado na gameplay aparenta ser um ser humano, e isso muda completamente a perspectiva da aventura.
Em vez de simplesmente controlar uma entidade lendária extremamente poderosa, o jogador parece acompanhar alguém que precisa enfrentar um mundo sobrenatural repleto de criaturas, espíritos e forças desconhecidas.
Isso cria uma dinâmica muito interessante.
O protagonista pode funcionar como uma espécie de porta de entrada para esse universo. O jogador descobre aquele mundo junto com ele, conhecendo pouco a pouco os personagens, as criaturas e os acontecimentos relacionados a Zhong Kui.
Também existe uma vantagem narrativa nessa escolha.
Se o protagonista fosse o próprio Zhong Kui, muitas informações sobre o personagem já seriam esperadas pelo público. Ao colocar um humano no centro da história, a Game Science pode explorar o mito por outro ângulo.
Quem é esse personagem?
Como ele chegou a esse mundo?
Qual é sua relação com Zhong Kui?
Por que ele consegue enfrentar essas criaturas?
E principalmente: qual será o papel de Zhong Kui na história?
São perguntas que a gameplay ainda não respondeu completamente.

(imagem de gameplay do black myth : zhong kui)
NÃO É UM WUKONG 2
Outro ponto que merece destaque é a diferença entre os dois jogos.
Black Myth: Wukong colocou o jogador em uma jornada diretamente relacionada ao Rei Macaco. O protagonista possuía uma ligação profunda com a mitologia de Sun Wukong e com a tradição literária chinesa.
Zhong Kui parece seguir outro caminho.
Embora os dois jogos compartilhem a inspiração na cultura e na mitologia chinesa, a apresentação indica uma experiência com identidade própria.
Isso é extremamente importante para a Game Science.
Depois do sucesso de Wukong, seria muito fácil criar uma continuação espiritual praticamente idêntica, apenas trocando o protagonista e alguns inimigos.
O estúdio, aparentemente, decidiu correr outro risco.
E isso é excelente.
Um dos maiores problemas de algumas franquias de sucesso é justamente a incapacidade de mudar. Quando uma fórmula funciona, as empresas frequentemente tentam reproduzi-la inúmeras vezes.
A Game Science parece estar fazendo o contrário.
Ela aproveitou a experiência adquirida com Wukong, mas está construindo outro universo visual, outra atmosfera e novos personagens.
CRIATURAS COMPLETAMENTE DIFERENTES
Talvez uma das maiores surpresas da nova gameplay esteja nas criaturas.
Quem jogou Wukong sabe que a Game Science possui uma capacidade impressionante para criar monstros baseados em elementos da mitologia chinesa.
Em Zhong Kui, entretanto, os designs parecem ainda mais variados.
As criaturas possuem formas estranhas, ameaçadoras e sobrenaturais. Muitas não parecem ter sido criadas apenas para funcionar como inimigos comuns. Elas carregam uma identidade visual própria.
Isso ajuda a construir a atmosfera do jogo.
O mundo de Zhong Kui parece mais sombrio, misterioso e, em determinados momentos, até perturbador.
Existe uma sensação de que o jogador está entrando em um universo onde não sabe exatamente o que pode encontrar na próxima área.
E isso é muito importante em uma aventura baseada em mitologia.
A mitologia chinesa possui uma quantidade gigantesca de histórias, espíritos, demônios, criaturas e lendas. A Game Science tem um material praticamente infinito para explorar.
A nova gameplay mostra que o estúdio não pretende simplesmente reciclar os inimigos de Wukong.
Eles querem criar algo novo.

(as criaturas do game são bastante diferentes algo realmente original)
A CEREJA DO BOLO: A IDENTIDADE CHINESA
Talvez seja justamente aqui que Black Myth: Zhong Kui mais se destaque.
O jogo parece abraçar completamente sua inspiração chinesa.
Arquitetura, cenários, criaturas, roupas, personagens, elementos sobrenaturais e referências culturais estão presentes de maneira muito forte.
Mas existe algo ainda mais interessante: o jogo não parece precisar transformar essa identidade em uma versão genérica de fantasia oriental.
Ele possui personalidade própria.
E isso é algo que merece ser valorizado.
Atualmente, existe uma quantidade enorme de produções que utilizam referências asiáticas, mas acabam misturando tantas influências diferentes que perdem parte de sua identidade.
Zhong Kui parece seguir uma direção diferente.
A Game Science não precisa transformar sua mitologia em uma cópia de uma estética popular para conquistar o público internacional.
Ela pode simplesmente apresentar a própria cultura.
E é exatamente isso que torna o projeto tão interessante.
SEM A NECESSIDADE DE BICHINHOS FOFINHOS
Existe também uma característica visual que chama atenção: o jogo não parece depender daquela fórmula de transformar tudo em algo extremamente fofo para agradar o público.
As criaturas são estranhas.
Algumas são assustadoras.
Outras parecem grotescas.
Os personagens possuem aparência mais séria.
O mundo possui uma atmosfera mais pesada.
E isso combina perfeitamente com a proposta.
Não existe problema algum em jogos com criaturas fofinhas ou estética mais leve. O problema acontece quando todas as produções começam a seguir a mesma fórmula.
Zhong Kui parece querer fazer exatamente o contrário.
A Game Science está dizendo:
“Nós temos nossa própria mitologia. Vamos mostrar ela do nosso jeito.”
E isso é originalidade.
UM VISUAL QUE NÃO PRECISA IMITAR
A qualidade gráfica continua sendo um dos pontos mais impressionantes.
Black Myth: Wukong já havia demonstrado a capacidade da Game Science de trabalhar com ambientes extremamente detalhados, iluminação avançada, animações e criaturas visualmente impressionantes.
Zhong Kui parece continuar essa evolução.
Mas o mais interessante é que os gráficos não estão sendo utilizados apenas para demonstrar tecnologia.
Eles servem para construir o mundo.
As florestas, construções, templos, áreas sombrias e criaturas parecem fazer parte de uma mesma identidade artística.
Existe uma preocupação clara em fazer com que o cenário conte alguma coisa.
O jogador não está simplesmente andando por um mapa bonito.
Ele está entrando em uma representação fantástica de um universo inspirado em uma tradição cultural específica.
O PROTAGONISTA HUMANO PODE SER UMA GRANDE SURPRESA
A escolha de colocar um humano como protagonista pode acabar sendo muito mais importante do que parece.
Em Wukong, o personagem principal já estava diretamente relacionado ao fantástico.
Em Zhong Kui, o protagonista pode permitir uma escala diferente.
Ele pode ser vulnerável.
Pode precisar aprender.
Pode descobrir poderes gradualmente.
Pode depender de outros personagens.
E pode representar o jogador dentro daquele universo.
Isso abre possibilidades para uma narrativa muito mais misteriosa.
Imagine descobrir Zhong Kui através dos olhos de alguém que não conhece todas as regras daquele mundo.
Em vez de receber uma explicação gigantesca logo no começo, o jogador poderia aprender sobre aquela mitologia através de suas próprias experiências.
Isso pode tornar a aventura muito mais envolvente.

(nosso novo protagonista é humano e não um deus mítico)
O COMBATE TAMBÉM TEM PERSONALIDADE
A gameplay mostrou que o combate continua sendo um dos pilares da experiência.
A espada aparece como um elemento importante, com movimentos rápidos, esquivas, defesas e técnicas especiais.
Também existem habilidades sobrenaturais que ampliam as possibilidades durante os confrontos.
Mas, novamente, a Game Science parece ter aprendido com Wukong sem simplesmente copiar Wukong.
O combate possui elementos conhecidos pelos jogadores do primeiro jogo, mas a apresentação indica que existem novas possibilidades.
Isso é exatamente o que esperamos de uma nova produção.
Não é necessário abandonar tudo que funcionou.
É preciso evoluir.
ZHONG KUI PARECE TER UM UNIVERSO PRÓPRIO
Talvez seja cedo para afirmar exatamente qual será o tamanho desse universo, mas a gameplay deixa uma impressão muito clara.
Black Myth não parece estar se tornando apenas uma história isolada.
A Game Science pode estar construindo uma espécie de universo baseado em diferentes personagens e lendas da mitologia chinesa.
Wukong apresentou uma dessas histórias.
Agora Zhong Kui apresenta outra.
Isso permitiria que futuros jogos explorassem outras figuras, outras regiões e outras lendas.
É uma possibilidade extremamente interessante.
Imagine um futuro em que Black Myth se torne uma franquia capaz de contar histórias independentes, todas conectadas pela mesma inspiração cultural.
A Game Science teria praticamente um universo inteiro para explorar.
AINDA EXISTEM MUITAS PERGUNTAS
Apesar de toda a empolgação, a nova gameplay também deixou várias perguntas sem resposta.
A principal delas envolve o protagonista.
Ainda queremos saber quem ele realmente é e qual sua ligação com Zhong Kui.
Também precisamos descobrir qual será a estrutura da história, como funcionará a progressão e qual será o tamanho do mundo.
Outro ponto importante será entender como as diferentes criaturas estarão relacionadas à narrativa.
Serão apenas inimigos?
Algumas serão personagens importantes?
Existirão chefes com histórias próprias?
A Game Science ainda tem muito para revelar.
E talvez seja justamente essa a melhor estratégia.
Mostrar o suficiente para deixar os jogadores empolgados, mas esconder as principais surpresas.
A GAME SCIENCE ESTÁ ARRISCANDO NOVAMENTE
Depois do sucesso de Wukong, a Game Science poderia simplesmente ter seguido o caminho mais seguro.
Mas a nova gameplay mostra que o estúdio parece interessado em experimentar.
Um protagonista humano.
Novas criaturas.
Nova atmosfera.
Outra abordagem da mitologia chinesa.
Um universo visual diferente.
E uma narrativa que ainda guarda muitos mistérios.
Isso demonstra confiança.
A empresa sabe que Wukong funcionou. Agora precisa provar que consegue fazer outra coisa funcionar igualmente bem.
E, pelo que vimos até agora, Zhong Kui tem potencial para isso.

(Imagem tirada do trailer de gameplay)
CONCLUSÃO
Black Myth: Zhong Kui começa a mostrar que não será apenas mais um jogo tentando repetir a fórmula de Wukong.
A nova gameplay apresentou um projeto com identidade própria, criaturas diferentes, personagens misteriosos e uma atmosfera que parece ainda mais sombria.
A surpresa de descobrir que o protagonista é aparentemente humano também pode ser uma das melhores decisões da Game Science, principalmente porque permite que a história explore Zhong Kui e a mitologia chinesa por uma perspectiva diferente.
E existe algo que merece ser destacado acima de tudo: a originalidade visual e cultural do projeto.
Zhong Kui não precisa abandonar suas raízes para conquistar jogadores do mundo inteiro.
Pelo contrário.
Quanto mais a Game Science abraça a mitologia chinesa, seus personagens, suas criaturas, sua arquitetura e suas tradições, mais o jogo consegue se diferenciar.
Depois de Wukong, seria fácil entregar mais do mesmo.
Mas a Game Science parece estar dizendo que Black Myth pode ser muito maior do que uma única história.
Pode ser uma franquia dedicada a explorar diferentes lendas de uma das mitologias mais ricas do mundo.
E se o estúdio conseguir manter esse nível de criatividade, qualidade visual e identidade até o lançamento, Black Myth: Zhong Kui pode não ser apenas o sucessor de um grande sucesso.
Pode ser o próximo grande passo da Game Science.
Por enquanto, resta esperar por mais informações e, principalmente, descobrir quem realmente é o misterioso protagonista humano que aparece no centro dessa nova aventura.
Porque uma coisa ficou clara depois dessa gameplay:
a Game Science não quer fazer outro Wukong. Ela quer fazer Zhong Kui.
zodd recomenda:
Vale a pena jogar Black Myth: Wukong antes de Zhong Kui?
Se você está de olho em Black Myth: Zhong Kui, existe um jogo que merece entrar imediatamente na sua lista: Black Myth: Wukong. Mesmo que Zhong Kui esteja seguindo uma direção própria, jogar Wukong é uma excelente maneira de conhecer o trabalho da Game Science e entender por que o novo projeto está despertando tanta expectativa.
Black Myth: Wukong é uma aventura de ação inspirada na mitologia chinesa, com combates intensos, chefes memoráveis, cenários impressionantes e uma atmosfera que mistura fantasia, espiritualidade e elementos sombrios. O jogo coloca o jogador no papel do Predestinado, em uma jornada diretamente ligada à lendária figura de Sun Wukong.
O que mais chama atenção é a maneira como a Game Science transforma referências da cultura chinesa em um mundo gigantesco e visualmente impressionante. O jogo não depende de uma estética genérica para conquistar o público: sua identidade está justamente na mitologia, nos personagens e nas criaturas que fazem parte daquele universo.
E é aí que Wukong se torna uma ótima preparação para Zhong Kui.
Ao jogar o primeiro título, você consegue perceber a capacidade do estúdio de criar criaturas fantásticas, desenvolver combates rápidos e construir ambientes extremamente detalhados. Zhong Kui parece levar essa experiência para uma direção diferente, com novos personagens, criaturas e uma atmosfera própria.
Por isso, se você ainda não jogou Black Myth: Wukong, este é um excelente momento para conhecer o game. Além de ser uma experiência fantástica por si só, ele pode aumentar ainda mais sua curiosidade para descobrir o que a Game Science está preparando em Zhong Kui.
Minha recomendação é simples: jogue Wukong e depois fique de olho em Zhong Kui. Se a Game Science conseguir repetir o nível de qualidade do primeiro jogo, mas mantendo a nova identidade apresentada na gameplay, podemos estar diante de mais um grande título baseado na mitologia chinesa.

(capa do game recomendado Black Myth Wukong.)
links com conteúdo adicional:
- Game Science — site oficial: Game Science — página oficial do estúdio responsável por Black Myth: Wukong e Black Myth: Zhong Kui.
- Gameplay de Black Myth: Zhong Kui: Black Myth: Zhong Kui — 15 Minutes Gameplay Trailer — vídeo com cerca de 15 minutos mostrando o novo gameplay.







