Existe uma coisa curiosa no mundo dos games: algumas franquias recebem enorme atenção mesmo quando apresentam propostas bastante conhecidas, enquanto outras anunciam projetos que poderiam ser completamente diferentes de tudo aquilo que já vimos e, ainda assim, passam quase despercebidas.
Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin pertence exatamente a essa segunda categoria.
Para quem conhece apenas a versão tradicional das Tartarugas Ninja, a ideia pode parecer estranha. Afinal, estamos acostumados com Leonardo, Raphael, Donatello e Michelangelo lutando juntos, fazendo piadas, comendo pizza e enfrentando vilões em aventuras cheias de ação. Mas The Last Ronin pega esse universo e remove praticamente tudo que representa segurança, diversão e união.
Aqui existe apenas perda.
Existe vingança.
Existe um sobrevivente.
E existe Michelangelo.
O game baseado na famosa história em quadrinhos está sendo desenvolvido pela PlatinumGames, em parceria com a Paramount Games, e aparece atualmente entre os projetos da desenvolvedora japonesa. A própria Paramount confirmou em 2026 que o jogo está em desenvolvimento em parceria com a PlatinumGames, enquanto o estúdio também já colocou The Last Ronin entre seus trabalhos oficiais.
E talvez seja justamente essa combinação que torne o projeto tão interessante.
Uma Tartaruga Ninja completamente diferente
A primeira coisa que precisamos entender é que The Last Ronin não foi concebido para repetir a fórmula tradicional da franquia.
A história apresenta um futuro devastado, no qual as Tartarugas Ninja deixaram de existir como equipe. Leonardo, Raphael e Donatello estão mortos, e resta apenas um integrante da família.
Michelangelo.
E essa escolha é extremamente importante.
Durante décadas, Mikey foi conhecido como o mais brincalhão dos irmãos. Ele era o personagem que fazia piadas, quebrava o clima pesado e transformava situações perigosas em momentos engraçados.
Em The Last Ronin, essa personalidade é colocada diante de uma realidade completamente diferente.
Ele perdeu tudo.
Não existe mais a equipe.
Não existe mais a família completa.
Não existe mais a vida que conhecia.
O que resta é a memória dos irmãos e a necessidade de terminar aquilo que começou.
É essa transformação que dá ao personagem uma força absurda.

ai esta o nosso protagonista Michelangelo.
As armas dos irmãos se tornam parte da história
Um dos elementos mais interessantes da premissa é justamente a relação de Michelangelo com as armas de seus irmãos.
Ele não está simplesmente carregando equipamentos diferentes porque o jogo precisa oferecer variedade de combate.
Cada arma representa alguém que ele perdeu.
As armas de Leonardo, Raphael e Donatello carregam uma memória. São símbolos de uma família que já não existe.
E isso pode ser explorado de maneira fantástica no game.
Imagine começar uma batalha utilizando uma arma e, durante aquele combate, lembrar de um dos irmãos. Imagine cada estilo de luta carregando características que remetem à personalidade de cada Tartaruga.
Isso poderia transformar o próprio sistema de combate em uma extensão da narrativa.
O jogador não estaria apenas escolhendo uma arma.
Estaria escolhendo qual memória daquele irmão deseja carregar naquele momento.
É uma ideia que combina perfeitamente com a proposta de The Last Ronin.
Michelangelo é o protagonista perfeito para essa história
Talvez outro personagem pudesse protagonizar uma história de vingança.
Mas Michelangelo torna tudo muito mais doloroso.
Isso acontece porque existe um contraste enorme entre quem ele era e quem se tornou.
O personagem que tradicionalmente representa diversão e irreverência agora precisa sobreviver sozinho em um mundo destruído.
A mudança não é apenas visual.
É emocional.
Ele não luta porque quer provar que é o melhor ninja.
Ele luta porque perdeu seus irmãos.
E essa diferença pode mudar completamente a maneira como enxergamos cada batalha.
Quando uma Tartaruga Ninja tradicional derrota um inimigo, existe aquela sensação de aventura.
Quando o Ronin derrota alguém, existe a sensação de que estamos acompanhando uma pessoa que está tentando carregar o peso de uma tragédia.
É uma abordagem muito mais adulta para a franquia.
Uma Nova York devastada
Outro elemento que pode fazer o jogo se destacar é o próprio cenário.
A Nova York de The Last Ronin não é aquela cidade colorida que conhecemos de outras histórias das Tartarugas Ninja.
É uma cidade marcada pela destruição e pelo domínio de forças violentas.
Isso permite que o game explore ambientes muito mais sombrios.
Ruas abandonadas.
Prédios destruídos.
Esconderijos.
Becos.
Instalações controladas por inimigos.
Locais que carregam lembranças do passado.
Tudo isso poderia ajudar a criar uma atmosfera quase pós-apocalíptica.
E existe uma oportunidade enorme aqui: contar a história de Michelangelo através do próprio cenário.
Imagine entrar em determinado lugar e descobrir que ali aconteceu algo relacionado aos irmãos.
Ou encontrar objetos que pertenciam a Donatello.
Ou atravessar uma região que remeta a Raphael.
O mundo poderia funcionar como uma espécie de memória viva do protagonista.
A PlatinumGames é uma escolha interessante
E então chegamos a uma das partes mais empolgantes do projeto.
PlatinumGames.
O estúdio possui uma história muito forte com jogos de ação. Seu catálogo inclui Bayonetta, NieR:Automata, Metal Gear Rising: Revengeance, Astral Chain e outros títulos conhecidos pelo combate veloz e pela forte identidade de ação.
E a relação da PlatinumGames com as Tartarugas Ninja não começou agora.
Em 2016, o estúdio desenvolveu Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutants in Manhattan, um jogo que já buscava levar os personagens para uma experiência de ação baseada no estilo dos quadrinhos. A própria PlatinumGames descreve aquele título como uma experiência de combate rápido e visual inspirado nas HQs.
Agora a situação é muito diferente.
Em vez de quatro Tartarugas trabalhando juntas, temos um protagonista solitário.
Em vez de uma aventura mais tradicional, temos uma história de vingança.
E em vez de simplesmente reproduzir o estilo conhecido da franquia, existe a possibilidade de construir um jogo muito mais brutal.

mais uma imagem para você deixa-lo na mente.
O combate pode ser o grande diferencial
Se existe uma coisa que a PlatinumGames sabe fazer, é combate.
Por isso, uma das maiores expectativas em torno de The Last Ronin está justamente nesse aspecto.
Michelangelo poderia utilizar as armas dos irmãos de maneiras completamente diferentes.
As espadas de Leonardo poderiam oferecer golpes rápidos e precisos.
As armas de Raphael poderiam proporcionar uma abordagem mais agressiva.
O bastão de Donatello poderia permitir ataques de maior alcance.
E as próprias armas tradicionais de Michelangelo poderiam oferecer movimentos mais acrobáticos.
Isso permitiria criar um sistema no qual o jogador alterna entre diferentes estilos de combate.
Mas existe algo ainda mais interessante.
O jogo poderia fazer com que cada arma tivesse uma importância emocional.
Quanto mais avançamos, mais entendemos quem eram aqueles irmãos.
Assim, cada batalha poderia representar não apenas evolução do personagem, mas também a maneira como Michelangelo lida com o passado.
O silêncio também pode ser importante
Outra coisa que espero de The Last Ronin é que o jogo não tenha medo de ficar em silêncio.
Nem tudo precisa ser explosão.
Nem toda cena precisa terminar em uma piada.
Nem todo momento precisa apresentar dezenas de inimigos.
Uma história como essa precisa de espaço para respirar.
Michelangelo caminhando sozinho por uma cidade destruída poderia ser tão importante quanto uma grande batalha.
Sentar em algum lugar e lembrar dos irmãos poderia ser mais impactante do que uma sequência cheia de explosões.
Encontrar uma antiga fotografia, uma arma quebrada ou algum objeto do passado poderia transmitir muito mais emoção do que longos diálogos.
É justamente aí que o game pode se diferenciar.
O legado das Tartarugas Ninja
O mais interessante é que The Last Ronin não precisa abandonar aquilo que torna as Tartarugas Ninja especiais.
Ele apenas precisa mostrar o outro lado desse universo.
A franquia nasceu nos quadrinhos de Kevin Eastman e Peter Laird e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por diversas versões em animações, filmes, games e outras mídias.
A existência de uma história tão sombria mostra que esse universo possui muito mais possibilidades do que simplesmente pizza e ninjas.
As Tartarugas podem ser engraçadas.
Podem ser aventureiras.
Podem ser infantis.
Mas também podem ser trágicas.
E The Last Ronin prova que existe espaço para isso.
Um game que pode surpreender
Ainda sabemos pouco sobre muitos detalhes da experiência final, e não existe motivo para tratar especulações como características confirmadas.
Mas o conceito já é poderoso por si só.
Temos uma Tartaruga Ninja solitária.
Temos uma cidade devastada.
Temos uma história de vingança.
Temos as armas dos irmãos.
Temos um protagonista carregando décadas de dor.
E temos a PlatinumGames responsável pelo projeto.
A Paramount continua apresentando o jogo como parte de seus projetos relacionados às Tartarugas Ninja e, em 2026, confirmou que os fãs poderiam conhecer mais sobre o desenvolvimento durante a San Diego Comic-Con, em uma apresentação envolvendo Tom Waltz, criadores da HQ e representantes da Paramount Games e PlatinumGames.
Isso mostra que o projeto não desapareceu.
Muito pelo contrário.
Ele está avançando.
Por que ninguém está falando tanto dele?
Talvez porque The Last Ronin não tenha recebido ainda uma campanha gigantesca de divulgação.
Talvez porque o público esteja acostumado a associar Tartarugas Ninja a projetos mais coloridos.
Ou talvez porque muita gente simplesmente ainda não tenha percebido o potencial dessa adaptação.
Mas existe uma grande oportunidade aqui.
Se a PlatinumGames conseguir transformar a tragédia de Michelangelo em mecânicas de jogo, entregar um combate de qualidade e construir uma atmosfera realmente pesada, The Last Ronin poderá deixar de ser apenas “o jogo sombrio das Tartarugas Ninja“.
Ele poderá se tornar um dos projetos mais interessantes da franquia em muitos anos.
O último Ronin
No final das contas, é isso que torna esse game tão especial.
Não estamos falando de quatro irmãos lutando juntos.
Estamos falando de um irmão que sobreviveu aos outros três.
Michelangelo não carrega apenas armas.
Ele carrega memórias.
Carrega culpa.
Carrega raiva.
Carrega o legado de Leonardo, Raphael e Donatello.
E, acima de tudo, carrega a responsabilidade de ser o último.
Essa é uma premissa extremamente poderosa para um videogame.
E talvez seja exatamente por isso que Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin merece muito mais atenção.
Porque, se a PlatinumGames acertar a mão, podemos estar diante de uma experiência completamente diferente de qualquer outro jogo das Tartarugas Ninja.
Não será apenas uma nova aventura das Tartarugas. Será a história de Michelangelo tentando sobreviver depois que deixou de existir uma família inteira para protegê-lo.
zodd recomenda:
Recomendação — THE LAST RONIN
Se você é fã das Tartarugas Ninja e ainda não conhece The Last Ronin, essa é uma história que merece sua atenção. A proposta abandona completamente a aventura tradicional e apresenta um futuro sombrio, no qual Michelangelo é o último sobrevivente e parte em uma missão desesperada de vingança. O game está sendo desenvolvido como um AAA de ação e aventura pela PlatinumGames, conhecida por experiências de combate intensas.
Minha recomendação é simples: conheça a HQ antes do lançamento e entenda por que essa história é tão pesada. O jogo tem potencial para transformar essa tragédia em uma experiência brutal e emocional. E com a PlatinumGames no comando, a expectativa por um combate de alto nível só aumenta.
Se você gosta de histórias maduras, vingança e personagens carregados de emoção, The Last Ronin merece estar no seu radar.
Capa da HQ recomendada:

Mais aqui boy:Home – zoddverso







